Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Pela primeira vez no Campeonato Brasileiro cinco times disputam a taça na reta final

Competição tem maior número de líderes em uma mesma edição desde 2006

João Prata e Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 05h00

Uma das mais disputadas edições do Campeonato Brasileiro de pontos corridos desde a temporada 2006, quando o torneio neste sistema adotou o formato com 20 clubes, caminha para uma sequência de rodadas duras e decisivas ao fim das quais se acredita que, enfim, o funil aperte para um ou dois favoritos ao título. No momento, a curta distância do quinto ao primeiro colocado não permite descartar nenhum dos postulantes. 

Hoje, a tabela traz Palmeiras (53), Internacional (53), São Paulo (52), Grêmio (50) e Flamengo (49) vivíssimos no páreo. O time liderado por Felipão, que assumiu a dianteira no fim de semana, é o sétimo líder no ano, um recorde nas últimas 13 disputas. Até hoje, o máximo numa mesma edição eram seis. 

Além do Palmeiras, já sentiram o gostinho de liderar a tabela e olhar para os rivais de cima para baixo o Flamengo (13 rodadas), São Paulo (oito), Internacional (duas), Atlético-MG, Atlético-PR e até o Corinthians (uma cada). “O campeonato ser equilibrado, é circunstancial. O que não é equilibrado é a pontuação elevada de vários times lá na frente. Por exemplo, a zona de Libertadores deste ano vai ser de elite. Muito clube que diz que vai chegar, não vai”, aponta o matemático Tristão Garcia, que atualiza no site Infobola, jornada a jornada, as chances de cada equipe ser campeã da competição nacional.

Agora, os números do matemático apontam o Palmeiras com 38% de possibilidades, seguido por Inter (34%), São Paulo (16%), Grêmio (8%), Flamengo (3%) e Atlético-MG (1%). Pelas contas de Tristão, o campeão brasileiro deste ano deverá fechar a competição com 78 pontos. Já o número mágico a quem quiser garantir vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2019, ou seja, acabar o ano no G-4, é 68. Com 60, será provável carimbar lugar no G-6. Na parte de baixo da tabela, 45 deverá salvar quem luta para não cair para a Série B.

“Tudo isso pode ir mudando de acordo com o desempenho dos times”, pondera o especialista, que tem um cálculo especial aos interessados no caneco do Brasileiro: pelas suas contas, quem somar, em média, dois pontos por jogo, garante a taça. À essa altura, com 27 rodadas, o postulante ideal ao título precisaria estar com 54 pontos, exatamente um a mais do que Palmeiras e Inter. Ocorre que há mais gente próxima da meta, como o São Paulo (52), o que reforça a ideia de se estar diante de uma das edições mais equilibradas dos pontos corridos. 

DECISIVAS - Exatamente por conta dessa briga acirrada no topo, as próximas quatro rodadas, recheadas de confrontos diretos, serão fundamentais para definir quem passará pelo funil e seguirá sonhando com a taça. Já neste fim de semana, o clássico entre Palmeiras e São Paulo, sábado, às 18h, no Morumbi, poderá resultar em nova troca de posição na liderança, caso os anfitriões vençam e o Inter tropece diante do Sport, no Recife.

O Palmeiras será, por sinal, o time com mais rivais diretos pelo caminho nessa sequência. Fora o clássico de sábado, o time encara o Grêmio, na rodada seguinte, e o Flamengo, após o duelo com o Ceará.

O São Paulo faz duas “finais” seguidas: Palmeiras, em casa, e Inter, fora. “Estamos entrando na etapa final. Todas as partidas vão ser decisões. Temos 11 rodadas pela frente. É ter calma e acreditar no que podemos fazer, tentar ganhar o próximo jogo em casa para seguir na luta”, afirmou o técnico Diego Aguirre, após o empate com o Botafogo (2 a 2), no último domingo.

O Flamengo só enfrenta um oponente direto, o Palmeiras, daqui a três rodadas. Por outro lado, terá dois adversários complicados até lá: Corinthians, amanhã, em Itaquera, e o clássico carioca com o Fluminense.

Os gaúchos são, em tese, os concorrentes com o caminho mais “tranquilo” nessa série de quatro rodadas. O Inter recebe o São Paulo, e só. Ainda encara o Santos em casa e Sport e Vasco, fora de Porto Alegre. O Grêmio também só tem uma pedreira, contra o Palmeiras, e três rivais mais preocupados com a parte de baixo da tabela do que com voos maiores: Bahia, América-MG e Sport.

DEBATE - O Brasileirão está mais disputado 

por ter melhor nível técnico?

SIM

Careca, campeão brasileiro pelo Guarani em 1978 e pelo São Paulo, em 1986:

"Temos de valorizar as equipes que estão na briga. É mérito delas, que conseguiram manter a organização no início da competição, no meio e agora no fim. Futebol é qualidade e organização. Ninguém se organiza em um mês. Ter cinco times na disputa pelo título demonstra que o Campeonato Brasileiro é o melhor de todos. Essa disputa é maravilhosa.

Não dá para apontar quem vai vencer porque ainda tem clubes que estão em outras competições. O Grêmio é um time com muita qualidade. O Inter cresceu muito também. 

O São Paulo perdeu a liderança, mas voltou a chegar depois de anos. O Palmeiras tem elenco, assim como o Flamengo. Nessa reta final, tudo pode acontecer. Não dá para arriscar. Esses times conseguiram preservar o elenco e isso é importante. Mexeram o mínimo possível. A janela do meio do ano costuma quebrar as melhores equipes. Acredito que estamos evoluindo."

NÃO 

Dadá Maravilha, campeão brasileiro pelo Atlético-MG em 1971:

O Brasileiro ficou mais fraco. Não tem muita disparidade porque os times oscilam. Por isso não dá para apontar um favorito. Para mim, o Palmeiras tem mais elenco e o Grêmio é a melhor equipe, porque é a que consegue ser mais compacta. 

O equilíbrio se dá mais pela fraqueza dos times. Não tem nenhum bom, com exceção do Grêmio. Ninguém é favorito. O futebol brasileiro encontra-se desmoralizado. Os jogadores estão mais pensando no cabelo do que no futebol. Até na China riem da gente. Tem jogo do Brasileiro que eu caio na cama e vou dormir porque é o melhor a se fazer. 

O Flamengo está uma ‘caca’. Parece que desaprendeu a jogar. O São Paulo faz o ‘arroz com feijão’, mas não tem cheiro de campeão. O Inter subiu e não tem consistência para permanecer na ponta. Não tem peças de reposição. Peço a Deus para que surja um novo Pelé, um Romário, um Dadá.

 

 

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