Nilton Fukuda/Estadão
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Pela segunda torcida

FPF e entidades públicas se contentaram com torcedor só de um lado. Uma vergonha

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2019 | 04h30

O futebol de São Paulo, e seus eternos representantes, abandonou de vez a segunda torcida no estádio em dia de clássico, como na partida entre Corinthians e Santos, neste domingo, em Itaquera – empate sem gols. A decisão continua estragando o futebol paulista, tirando o sabor das grandes disputas e, de certo modo, evitando que os amantes do futebol cresçam e amadureçam. Ela foi tomada lá atrás porque nem polícia nem Federação nem Ministério Público nem ninguém dos envolvidos conseguiu dar jeito nas brigas de torcedores.

O que não quer dizer que não há mais confusão. Há sim. Geralmente nos bairros mais periféricos da cidade, nas estações de trem e metrô ou em qualquer lugar que haja opções diferentes. Ora, como o Brasil vai acabar com o seu preconceito se as instituições legais segregam as diferenças, impedindo-as de conviverem juntas num mesmo local, a saber, dentro do estádio?

Talvez o clássico na arena do Corinthians, portanto, só com corintianos (não tem como contar os enrustidos), tivesse resultado diferente se houvesse duas bandeiras tremulando nas numeradas, uma de cada lado, incentivando seu time e fazendo com que o outro corresse mais e vice-versa. O que mais me incomoda nessa história é o argumento de que se morre menos no futebol desde que se instituiu torcida única. Não é verdade. E se for, é por pura casualidade. Basta uma torcida marcar encontro com outra para que o pau coma bonito, como já noticiamos inúmeras vezes. As torcidas obedecem a comandos e esses comandos são para que não haja mais briga nos estádios.

Não entra na minha cabeça, um sujeito que cresceu vendo estádios coloridos, que nada se faça nesse sentido, que ninguém reclame, que não apareça uma voz para dizer o contrário. Deveriam ser os clubes a mandar. Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras deveriam gritar, voltar às origens e fazer valer suas vontades. No mundo inteiro é assim. Na Copa é assim. Por que em São Paulo não poderia voltar a ser?

Claro que ninguém quer que torcedores se peguem nas ruas e imediações das arenas por causa do futebol, que mães percam seus filhos em brigas de estádio. Nada disso. Mas já passou da hora de as instituições e órgãos públicos tomarem o assunto de volta a fim de solucioná-lo. Torcida única entrega menos financeiramente para os clubes, mesmo a despeito da procura por ingresso de sócio-torcedor. Não vejo um Pacaembu lotado, por exemplo, em jogos do Santos, tampouco um Morumbi quando o São Paulo manda lá.

Daqui a pouco, o Campeonato Paulista entra em sua fase interessante, de mata-mata, e, muito provavelmente na semifinal, os grandes de São Paulo devem se enfrentar, se não todos, ao menos alguns deles. Nos acostumamos a pensar que cada um dos jogos de ida e volta pertence a uma torcida, quando na verdade devíamos defender que as duas partidas, até a final, deveriam ter torcedores dos dois lados. Essa falta de emoção está matando o futebol. Pouco adianta que Palmeiras e Corinthians lotem suas arenas e ganhem o mesmo dinheiro com seguidores de seus respectivos times. Não é a isso que me refiro. O futebol não pode ser só dinheiro. Futebol é paixão, é rivalidade, é festa, é disputa, é entretenimento. Enfim, é muito mais do que estamos vendo em São Paulo, por exemplo. 

PALMEIRAS

A preguiça do Palmeiras para disputar o Estadual é gigantesca, talvez uma posição revanchista contra a Federação Paulista. Talvez não. Felipão escala times reservas ou mistos. Vai olhar para o torneio só lá na frente, isso se o Paulista não atrapalhar o interesse do clube em outras competições.

SÃO PAULO

O problema do São Paulo é de gestão, de todos.

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