Nilton Fukuda/Estadão
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Peladeiro de Felipão

Treinador não vai abandonar Deyverson, mas não deve passar a mão em sua cabeça

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2018 | 04h00

A sorte de Deyverson é que o técnico do Palmeiras gosta dele. Felipão é desses treinadores que abraçam alguns jogadores e os defendem até o fim, sem receio de morrer abraçado com eles. Com sua história e conquistas no futebol, é um dos poucos com carta branca para isso. Então, quem espera que Deyverson fique na mão pela série de expulsões que tem, não perca seu tempo com isso. Scolari não é desses, ainda mais com esse amor que a torcida tem por ele. Vai defender o atacante do Palmeiras até a morte. Tem esse direito, embora precise pensar, acima de tudo, no time. E aí pode estar cometendo um pecado.

Outro fator positivo para o ainda desmiolado Deyverson é sua simpatia de “menino maluquinho”. Ele caiu no gosto do elenco, de modo a ser comum os jogadores do Palmeiras falarem bem dele, quase como se fosse uma espécie de “café com leite” da equipe – aquele que todos desculpam por sua falta de juízo. Já ouvi da boca de atletas importantes que o garoto tem bom coração e aceita conselhos.

Ocorre que Deyverson tem abusado dessa condição de “maluquinho”, que não faz parte do futebol profissional, a não ser que ainda haja espaço para jogadores peladeiros no Brasil. Entendo todo o folclore existente nas atitudes do atacante, até mesmo sua empatia com o torcedor, que neste domingo, no Pacaembu, aceitou suas desculpas após a falta grotesca feita no rival do Ceará e que provocou sua expulsão, mais uma no ano, mas é inconcebível que ele prejudique o Palmeiras em sua caminhada para a conquista do Campeonato Brasileiro.

Aos 10 minutos do segundo tempo, por exemplo, o Ceará fez o seu gol porque o Palmeiras estava com um jogador a menos. Dez contra 11 é muito mais difícil. O time paulista sofreu e teve de correr dobrado para segurar a vitória por 2 a 1. A bola rondou sua área e ofereceu perigo constante, mesmo a despeito de alguns contra-ataques perigosos. Tudo porque o peladeiro Deyverson não se controlou numa disputa de bola no meio de campo. E entrou no meio do adversário.

De nada adianta pedir desculpas depois, bater a mão no coração, fazer aquele sinal característico de quem fez o que não deveria... Não é a primeira vez que esse menino apronta. Uma hora, seu desequilíbrio vai prejudicar o Palmeiras, verdade que já se aplicou a Felipe Melo, agora vivendo fase aparentemente de calmaria em campo.

Não sou contra a molecagem no futebol. Sou avesso, na verdade, ao excesso de força e redução de inteligência, o que me parece ser o caso de Deyverson. Felipão não deve nunca perder a ternura com seus jogadores, mas não pode passar as mãos em tudo de errado que um “filho” faz. Deyverson anda cometendo excessos perigosos. Não enxerga a chance que está tendo na carreira e na vida.

Mesmo com um jogador a menos no segundo tempo, o Palmeiras, do bom Bruno Henrique, manteve a liderança do Brasileirão, somou três pontos mais e tirou uma rodada de sua frente. Na quarta-feira, encara o Boca Juniors pela semifinal da Libertadores. Outra pedreira. Por isso também Felipão poupou alguns jogadores no Pacaembu.

São Paulo

A alegria acabou no Morumbi. Com ela, a chance de brigar pelo título. As vaias da torcida após empate sem gols em casa com o Atlético-PR, no entanto, não podem fazer com que a diretoria jogue tudo no lixo. É preciso continuar de onde parou. Pensar 2019 numa sequência de 2018. Na minha cabeça, o trabalho passa pela continuidade do técnico Diego Aguirre.

Corinthians

Empate ruim para Corinthians e Vitória neste domingo. O 2 a 2 não deixa nenhum dos times dormir tranquilo. Ambos continuam assustados com o rebaixamento, a oito jornadas do fim da competição.

 

 

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