Pelé admite mudanças na Lei do Passe

O atleta do século, o ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, admitiu nesta segunda-feira mudanças na lei de sua autoria, a Lei Pelé, que torna obrigatório o passe livre a partir de 26 de março. Ele disse que a duração do primeiro contrato entre clube e jogador formado pela agremiação, que hoje é de dois anos, passaria para três ou quatro anos. A partir daí, então, o jogador teria o passe livre."A Lei Pelé pode ser ajustada." O ministro dos Esportes e Turismo, Carlos Melles, disse que nomeará uma comissão especial - e Pelé aceitou integrar o grupo - com representantes dos atletas, da CBF e da Fifa para discutir mudanças na Lei Pelé.Em almoço com o ministro Melles, e o advogado-geral da União, Gilmar Mendes, o Pelé defendeu ainda maior participação do capital estrangeiro nos clubes, atualmente limitada em 49%. Apesar da presença de Gilmar Mendes que influencia nas decisões jurídicas do presidente Fernando Henrique, o ministro Melles garantiu que não se discutiu proposta de adiamento de prazo para entrada em vigor do passe livre. Para fazer essa mudança, o governo fatalmente necessitaria de editar uma medida provisória porque não haveria tempo hábil de se aprovar nova data no Congresso.Pelé demonstrou ser contra novo adiamento. Ele quer que os dirigentes parem de viver da venda de jogadores. "O resto do mundo não vive assim", ressaltou. Mas o ministro Melles observou que não dá para cercear essa prática "da noite para o dia" e que seria necessário mais tempo para os clubes reorganizarem-se.Para Pelé, o clube pode ganhar dinheiro com organização e estrutura, vendendo espetáculo e tendo um bom estádio. Na sua opinião, clube é como uma emissora de TV. "A TV Globo vende espetáculo, não vende artistas", comparou, citando ainda que as agremiações poderiam ter lucros fazendo aplicações em bolsas e vendendo ingressos antecipadamente. O atleta fez questão ainda de esclarecer que mantinha todas as críticas feitas, no passado, ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira. E desmentiu que o presidente Fernando Henrique Cardoso tivesse pedido a ele para fazer as pazes com Teixeira.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.