Pelé 'conhece' seu marcador da Copa do Mundo de 1958

Ake Johansson é hoje um senhor de 84 anos: "Quando ele fez o quinto gol do Brasil, tive vontade de aplaudir"

O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2012 | 17h50

SÃO PAULO - A Copa do Mundo de 1958 teve sabor especial para o Brasil porque o escrete nacional havia engolido o grito de campeão em 1950, na derrota para o Uruguai dentro do Maracanã. Pelé já contou essa história várias vezes. Ele diz que prometeu ao seu pai, Dondinho, chorando ao lado do rádio após o fracasso do time brasileiro em 50, que um dia ganharia uma Copa do Mundo para ele. Profético. O garoto já sabia aos 10 anos quem seria.

Aos 17, lá estava ele no Estádio Rasunda, em Estocolmo, para a grande final do Mundial contra os anfitriões. "Eu tinha 17 anos e ninguém sabia o que era o Brasil. Fico feliz em ter prestado esse serviço ao País, ao lado do Zito, do Pepe e do Mazzola e de tantos outros. O Brasil estava tão bem que todos torciam para nós em Estocolmo." Pelé, que ainda não era Rei, marcou dois gols na vitória brasileira por 5 a 2 contra os suecos.

Na manhã desta terça-feira, doze jogadores que estiveram em campo naquele 29 de julho de 1958 puderam se reencontrar, e não mais como adversários. A animação era a mesma de 54 anos atrás, apenas o reflexo no espelho daqueles festivos senhores não era mais o mesmo. Pelé, talvez o mais jovem daquela Copa, é hoje um senhor de 71 anos, à beira do 72. 

Todos esses anos, no entanto, não foram capazes de diminuir a admiração dos jogadores suecos por Pelé e seus companheiros de seleção, como Zito, Mazolla e Pepe. Naquela partida Pelé foi marcado por Ake Johansson, 13 anos mais velho que o brasileiro, hoje com 84. "Quando Pelé marcou o quinto gol do Brasil, não pensei mais em marcá-lo. Só pensei em aplaudi-lo." Pelé também reviu, ou viu pela primeira vez, o beque em quem deu o chapéu dentro da área. Era Bengt Gustavsson, também um senhor de 84 anos que o tempo tratou de apagar alguns fatos marcxantes de sua memória. "Não me lembro bem do lance. Só lembro que o Pelé me driblou muito."

Todos eles estiveram juntos nesta terça-feira em cerimônia no Estádio Rasunda às vésperas da partida amistosa entre Brasil e Suécia, a última internacional antes de o local ser demolido para virar um condomínio residencial. Do time brasileiro de 1958, estiveram presentes, além de Pelé (71 anos), Pepe (77), Mazzola (74) e Zito (80). O rival sueco foi representado por Gustavsson (84), Ake Johansson (84), Sigvard Parling (82), Agne Simonsson (77), Reino Börgesson (83), Bengt Berndtsson (79) e Owe Ohlsson (74).

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