Marcelo Sayão/EFE
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Pelé discorda de postura de Aranha diante de atos racistas

'Se uma pessoa chamar de japonês, ou de alemão, é a mesma coisa', diz o Rei, que defende outro tratamento sobre o tema

Marta Nogueira, REUTERS

10 Setembro 2014 | 18h57

Pelé minimizou nesta quarta-feira ofensas racistas de torcedores no futebol, mas ressaltou que devem ser coibidas e que foi alvo de racismo quando era jogador. "Eu acho que tem que coibir, mas tem que saber até que nível. Porque são explosões naturais, que não vai dar para mudar. Se fosse assim, o time brasileiro não podia jogar na América Latina porque a gente ia ter que parar todos os jogos”, declarou o ex-jogador à Reuters, no Rio de Janeiro.

"Se uma pessoa chamar de japonês, ou de alemão, é a mesma coisa", acrescentou.

O racismo no futebol esteve em evidência no Brasil nos últimos dias, depois que integrantes da torcida do Grêmio chamaram o goleiro Aranha, do Santos, de "macaco" e emitiram sons imitando o animal, em partida no dia 28 de agosto, em Porto Alegre. Aranha reclamou com o árbitro e se mostrou indignado após o jogo.

A equipe gaúcha foi excluída pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Copa do Brasil por causa do episódio, mas recorreu da decisão. "Eu não quero criticar o Aranha, porque é uma excelente pessoa, um amigão meu, é calmo, é puro, mas foi pego de surpresa. Se ele fizesse a mesma coisa que o Daniel (Alves) fez, quando jogaram uma banana lá na Europa para ele e comeu, você viu que ninguém falou mais nada", disse Pelé, sobre gesto do lateral brasileiro ocorrido no Campeonato Espanhol, em abril, que gerou repercussão mundial.

Pelé acredita que a reação do goleiro Aranha contribuiu para "toda essa promoção para quem tem esse tipo de racismo". O tricampeão mundial com a seleção brasileira disse ainda que quando era jogador foi vítima de racismo por diversas vezes. "Na minha época, em todo lugar que a gente jogava na América Latina, Argentina, Uruguai, Paraguai, me chamavam de negro, de macaco, de tudo. A explosão do torcedor, até aqui mesmo quando a gente ia jogar no interior, eles xingavam e não era só eu", disse.

"Xingavam a gente de todo nome. Eu acho, é claro, que tem que coibir, é uma coisa de racismo e, infelizmente, o racismo não é só contra o negro, é contra o japonês, contra o pobre. Tem que coibir. Mas eu acho que as coisas têm que ser levadas diferente."

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