Pelé diz que tem mais fama que Jesus

O tempo passa, mas certas frases se repetem na história. Quarenta anos depois de John Lennon, agora é Pelé quem admite ser mais conhecido do que Jesus. O que nos anos 60 soava como presunção e uma provocação do ex-líder dos Beatles, no início do século 21 parece apenas uma constatação da mudança de costumes. ?Pode ser uma blasfêmia, mas tem lógica?, afirmou o eterno Rei do Futebol em entrevista divulgada nesta segunda-feira pela agência de notícias italiana Ansa. ?Sou católico e sei o que Ele e Seus valores significam?, ponderou o antigo craque do Santos. ?Mas no mundo há pessoas que acreditam em outras coisas. Na Ásia, por exemplo, existem milhões de budistas?, comparou. ?Talvez não saibam quem é Cristo, porém de Pelé ouviram falar. Isso representa responsabilidade enorme?, recordou o ídolo, referindo-se a pesquisas que, em sua opinião, citam seu nome mais do que o de Jesus. A referência a Cristo foi feita para reforçar a tese de que o futebol é a atividade mais democrática do mundo e tem enorme poder de influência sobre as pessoas. Na avaliação de Pelé, é também um meio de desenvolvimento social e econômico. ?A bola é redonda e rola para todos da mesma forma?, definiu, com simplicidade. ?Por isso, é a coisa mais democrática que existe?, reforçou. ?A Fifa tem mais afiliados do que a ONU. O futebol não é racista e basta lembrar quando outros negros fizeram história com ele?, observou. ?Além disso, traz desenvolvimento e as empresas que mais cresceram, nas últimas décadas, são ligadas ao setor, como aquelas de material esportivo?. Pelé não costuma esquivar-se de situações embaraçosas. Por isso, não evitou a dividida ao lhe perguntarem se se considerava melhor do que Maradona. ?Basta olhar os fatos, eu era nitidamente mais completo?, afirmou. ?Sabe quantos gols Diego fez de cabeça? Eu digo. Nenhum. Já Pelé fez 100. E com o pé direito? Eu ao todo marquei 1281 vezes?, enumerou. ?O problema é que os argentinos não se conformam e já me compararam a Di Stefano e Sivori?.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2005 | 20h26

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