Pelé e Platini apresentam os "100 maiores"

Pelé e o francês Michel Platini serão os mestres de cerimônia nesta quinta-feirado primeiro grande evento nas comemorações do centenário da Fifa, no Museu de História Natural de Londres. Os dois apresentarão, oficialmente, a lista dos 100 maiores jogadores vivos do futebol mundial - 200 nomes teriam sido previamente escolhidos pela Fifa e a Pelé caberia a seleção final. Eles nem subiram ao palco ainda, mas as polêmicas já vão longe.Em sua edição desta quarta-feira, o jornal Folha de S. Paulo divulgou a suposta lista dos 120 nomes escolhidos pelo Rei do Futebol. No site oficial da Fifa (www.fifa.com), no entanto, está claro que apenas 100 atletas serão homenageados e farão parte do livro "Hundred", com lançamento em edição limitada ainda neste mês. Na relação extra-oficial divulgada nesta quarta-feira apenas 12 brasileiros (além do próprio Pelé) apareceram, enquanto França e Itália teriam cada uma 14 representantes. Segundo o site da Fifa, o Rei não entraria na disputa, seria o número 1 absoluto.PolêmicaMesmo sabendo que o maior jogador de todos os tempos não teve total autonomia para elaborar a lista (afinal, a Fifa reduziu seu leque de escolha a 200 nomes), ela desagradou em cheio craques do passado e pessoas ligadas ao futebol. O eterno palmeirense Ademir da Guia achou a lista um "erro injustificável". Sua bronca, garante, não é por não integrar a relação. "Estou pensando é no futebol brasileiro. Sempre tivemos os melhores atletas", explicou.Mesmo a seleção dos atletas nacionais que teria sido feita por Pelé não agrada. Seriam estes os escolhidos: Cafu, Carlos Alberto Torres, Djalma Santos, Falcão, Júnior, Rivaldo, Romário, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Sócrates e Zico. "Como pode a seleção que foi tricampeã mundial em 1970 só ter um jogador relacionado (Carlos Alberto Torres)? O Brasil como País pentacampeão mundial tinha que ter muito mais jogadores do que os outros países", desabafou o coordenador técnico da seleção brasileira, Zagallo.O hoje diretor técnico do Corinthians, Roberto Rivellino, considera a lista um equívoco. O ex-meia, considerado por muitos um dos maiores jogadores de todos os tempos, acabou ignorado por Pelé. Em seu lugar aparecem nomes como o do japonês Nakata, do argentino Zanetti e do francês Vieira. Rivellino define assim as escolhas feitas pelo companheiro na Copa de 1970. "Ele próprio costuma diferenciar o Pelé, ex-jogador, do Édson, o cidadão comum. O Pelé sabia tudo de futebol, foi o Atleta do Século. Esta lista, no entanto, foi feita pelo Édson."Outro parceiro que fez história ao lado de Pelé, no Santos, e não recebeu sequer menção foi Coutinho. O ex-atleta preferiu não se pronunciar. "Não sei de nada e, como não fui escolhido, prefiro não falar sobre o assunto", disse Coutinho, por telefone, nesta quarta-feira à tarde.A maior parte dos ex-jogadores ouvidos, aliás, preferiu ser reticente, evitar polêmicas. O volante Clodoaldo foi um deles. "Sou amigo do "crioulo" há mais de trinta anos e acho que cada um tem o direito de fazer suas escolhas."Outro volante, entretanto, bem ao seu estilo, pôs a boca no mundo contra Pelé, com quem jogou na Copa de 70. Gerson parecia indignado. "Não fiquei magoado. Eu nunca briguei para ser o melhor. Graças a Deus estou fora de uma lista da qual fazem parte o Vieira e o Cafu", disse nesta quarta-feira comentarista de futebol. E foi mais longe: "O Pelé tem todo o direito de escolher os nomes que quiser, mas deixar os companheiros que sempre o carregaram nas costas é um absurdo."Além de Platini e Pelé, o evento desta quinta-feira, em Londres, contará com a presença do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, que na oportunidade será o representante da Fifa.

Agencia Estado,

03 de março de 2004 | 20h27

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