Pelé instala auditoria em sua empresa

Diante das suspeitas envolvendo a sua empresa de marketing esportivo em negócios irregulares, o ex-jogador Pelé anunciou que vai instalar uma auditoria na Pelé Sports & Marketing. "Como dono da firma, tenho o direito de saber o que ocorreu", declarou o Atleta do Século, em entrevista ao Jornal da Globo, que foi ao ar na segunda-feira. O caso está relacionado com uma proposta da empresa de Pelé à Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) da Argentina, na qual seria realizado um evento de caráter beneficente, com a presença de artistas e esportistas famosos, denominado Move The World. A Pelé Sports & Marketing não receberia nada como responsável pela organização das atividades. O contrato foi assinado em janeiro de 1995, mas o espetáculo nunca saiu do papel e o acordo acabou sendo rompido em 1996. Depois de acertar a realização do evento com a Unicef, a empresa do ex-jogador teria assinado outro contrato com uma similar norte-americana, a Sport Vision, através do qual a Pelé Sports & Marketing receberia US$ 3 milhões, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, que afirma ter ela recebido US$ 700 mil. Durante o processo, apareceu uma outra empresa, a Global Entertainment Organization, que teria a intenção de financiar o evento. Essa empresa, também norte-americana, teria conseguido um empréstimo de US$ 3 milhões com o argentino Banco Patricios Cooperativo. Antes de a instituição financeira falir, teria emprestado US$ 700 mil à Global, dinheiro repassado à Pelé Sports & Marketing. Desvios - Pelé acredita que houve desvios do projeto inicial e pretende apurá-los. "Todos me conhecem desde o milésimo gol, 32 anos atrás. Eu trabalho com criança, peço pelas crianças. Nunca cobrei nada pelo trabalho que faço e não faria isso agora", defendeu-se o ex-jogador na entrevista ao jornal da Rede Globo, referindo-se às declarações feitas em 19 de novembro de 1969, quando pediu que as pessoas ajudassem as crianças carentes do País após marcar o milésimo gol de sua carreira, no Maracanã. "Faço muita coisa que ninguém fica sabendo", declarou ainda na entrevista o Rei do Futebol. Roberto Seabra Diniz, ex-sócio da Pelé Sports & Marketing, entrou na Justiça do Trabalho requerendo metade dos US$ 700 mil que teriam ido parar na conta da empresa. Pelé rompeu há cerca de um mês com Hélio Vianna, outro sócio da empresa, e pretende criar uma outra para continuar no mercado de marketing esportivo. "Quem for culpado vai pagar", disse Pelé na entrevista à tevê, numa referência à auditoria que mandou instalar. Na CPI da Nike, na Câmara dos Deputados, Hélio Vianna foi um dos interrogados e ao término dos relatório, os parlamentares pediram seu indiciamento por perjúrio e sonegação fiscal. A Unicef afirmou não ter feito nenhum investimento para a realização do evento Move The World e também não ter recebido nenhuma quantia.

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