Pelé lança fundo na Suíça para investimento em revelações

Com o objetivo de captar US$ 30 milhões (cerca de R$ 62,4 milhões) para aplicar em jogadores brasileiros, Pelé lançou nesta sexta-feira na Suíça um fundo de investimentos e se transforma em um verdadeiro exportador de atletas nacionais. O projeto ?Campus Pelé? tem como meta formar craques no Brasil e vendê-los para a Europa. Mas para garantir um retorno, a primeira exportação desse jogador para a Europa será por meio de um empréstimo a um clube pequeno, o Lausanne FC. Isso garantirá o controle total do fundo sobre o futuro do jogador e permitirá que também lucre em uma eventual segunda venda do atleta para um clube maior da Europa. ?Essa é a minha aposentadoria?, disse Pelé. Já os investidores são mantidos em sigilo absoluto, algo visto com suspeita na Fifa. O retorno dado aos investidores internacionais será baseado no valor que a venda desses jogadores atingirá. A lógica é simples: assim como commodities como ouro ou petróleo são alvos de investimentos, jogadores brasileiros também estão se transformando em possibilidades de lucros investidores. O dinheiro coletado do fundo - o Sport Investments SCA - será usado em um centro de treinamento de jovens no Monte Alegre Futebol Clube e que levará o nome de Campus Pelé em Jundiaí. A idéia é de que o centro financie a preparação de cem jogadores por ano. Os mais promissores serão colocados no Paulista de Jundiaí como uma primeira etapa de suas profissões. Quem se sair bem, será então transferido para o Lausanne, que joga na segunda divisão do campeonato suíço. O clube suíço, portanto, se transformará em uma plataforma para a adaptação do jogador na Europa e, principalmente, para que seu passe seja valorizado em uma segunda transferência para outro clube europeu. Estudos feitos pelos gestores do projeto concluíram que o passe de um jogador brasileiro ganha uma forte valorização ente seu primeiro clube na Europa e um eventual segundo time. Isso ocorreu com Ronaldinho Gaúcho entre sua passagem do Paris Saint-Germain e o Barcelona. Mas para garantir que o jogador não abandone o fundo, a sua exportação para o Lausanne será feita por meio de um empréstimo, o que obrigará o atleta a permanecer nas mãos dos investidores. Pelé, porém, garante que sua idéia também tem um aspecto social. Segundo o ex-jogador, apenas 10% dos cerca de mil jogadores que saem do Brasil todos os anos conseguem algum sucesso. ?Muitos são abandonados por seus agentes e alguns não tem dinheiro nem mesmo para voltar ao País. No nosso caso, não vamos jogar ninguém na rua?, afirmou. Segundo ele, o projeto prevê escolas, ensino de inglês e assistência à família para garantir que o atleta tenha condições de passar pela transformação de sair do País. ?Muitos não estão preparados para ficar ricos da noite para o dia. Esse é um acordo para proteger os jovens?, disse. Os organizadores do fundo, porém, garantem que os jogadores formados terão a liberdade de escolher para onde irão ao completar 18 anos. ?Vamos apenas sugerir que assinem com o Lausanne?, afirmou um dos organizadores. O que esperam, porém, é pelo menos receber pela formação do atleta, um direito reconhecido pela Fifa. A entidade, porém, também se mostra preocupada com o fato de o comércio de jogadores estar se transformando em uma verdadeira venda de seres humanos. Joseph Blatter, presidente da Fifa, já pediu investigações sobre fundos como a MSI que compram e vendem atletas. ?Só temos responsabilidade com esse jogador até ele se tornar profissional, depois não?, disse um dos organizadores. Pelé admite que a questão dos contratos é algo complicado e que terá de recorrer aos advogados para proteger seus acordos. O projeto, que já coletou US$ 15 milhões (cerca de R$ 31,2 milhões), tem previsão para durar pelo menos dez anos. O fundo, porém, é registrado em Luxemburgo, um paraíso fiscal na Europa, e todos os seus investidores, que precisam colocar pelo menos US$ 200 mil (cerca de R$ 416 mil) no projeto, são mantidos no anonimato. No Brasil, o Grupo Fator é um dos pilares da iniciativa na área financeira. Os primeiros três jogadores já serão enviados ao Lausanne ainda neste ano. Se tudo ocorrer bem, o projeto espera ampliar sua captação para US$ 50 milhões (cerca de R$ 104 milhões) nos próximos anos. Pelé explicou que a formação de jovens foi sempre uma preocupação dele. ?Não quero ser treinador. Sou procurado praticamente todos os meses para ser treinador de um time nos Estados Unidos, Brasil ou até mesmo na África. Mas minha aposentadoria é mesmo trabalhar com jovens?, completou.

Agencia Estado,

09 de fevereiro de 2007 | 18h58

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