Pelé pede para torcida não vaiar mais a seleção brasileira

Pedido é feito durante os festejos do primeiro aniversário da 'Escola do Rei', localizada em Santos

Sanches Filho, do Estadão,

18 de outubro de 2007 | 15h55

Faltou apenas o ponta-direita Dorval para Pelé reunir o Ataque dos Sonhos, nesta quinta-feira, no primeiro aniversário da "Escola do Rei", com três campos de grama sintética e que atende cerca de 400 alunos, entre 5 e 14 anos de idade, na avenida Conselheiro Nébias, em Santos. O assunto principal do encontro foi a Seleção Brasileira e a goleada por 5 a 0 contra o Equador, quarta-feira à noite, no Maracanã, pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa de 2010. Veja Também: Crônica do jogo: Brasil 5 x 0 Equador Após goleada, Dunga finalmente sorri no comando da seleção CBF tenta agendar amistosos para o Brasil no começo de 2008  Você acha que após a goleada sobre o Equador, a seleção brasileira engrena nas Eliminatórias? Classificação  Calendário / Resultados  "No primeiro tempo, os torcedores vaiaram porque só alguns jogadores apareceram bem individualmente. Importante é que a torcida não vaie porque bastou um pouco de paciência no segundo tempo para tudo virar festa e espetáculo. A Seleção precisa melhorar o conjunto, mas o Dunga sabe disso", analisou Pelé. O Rei disse que não há como esquecer o Ataque dos Sonhos, formado por Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, no final dos anos 50 e na década de 60. "O que a gente vê em vez quando, como a tabela entre Kléber e Renatinho, no segundo gol do Santos contra o Botafogo-RJ, e na jogada do Robinho contra o Equador, acontecia em todos os jogos do Santos na época do Ataque dos Sonhos, que foi considerado pela Fifa o melhor que já apareceu." Mesmo mancando, em razão de uma torção no joelho esquerdo sofrida durante um alongamento, na semana passada, Pelé, sempre sorridente, atendeu a todos os pedidos de autógrafos e para fotos ao lado dos alunos da "Escola do Rei", além dos familiares dos garotos. "É gratificante quando se pode juntar o pessoal e falar com alegria do que aconteceu no passado. E lembrar que todos nós surgimos na base do Santos. Isso deixa a gente feliz", disse Pelé, analisando o mais famoso ataque da história do futebol brasileiro. E sobre a dramática situação do Corinthians, Pelé disse, rindo, que torce para que ele não caia. "Eu não gostaria que acontecesse porque ficaria chato ganhar do Corinthians na segunda divisão." Coutinho define a mais famosa linha ofensiva santista como um ataque cheio dos truques. "Em cada jogo, a gente fazia coisas diferentes. E jogar ao lado dele [Pelé] era sacanagem." O mais crítico dos integrantes do Ataque dos Sonhos, Coutinho acha que o futebol piorou porque os jogadores agora têm muitas mordomias. "No nosso tempo, ninguém falava de altitude. Agora, tudo serve para desculpa e o cara fez três gols e já ganha R$ 40 mil por mês. Nós nunca ganhamos isso no Santos." O primeiro dos cinco integrantes do Ataque dos Sonhos a parar foi o ponta-esquerda Pepe, em 1969, e de lá para cá, ele diz que o futebol só vem piorando. "Ataque como aquele não surge nunca mais, até porque o futebol caminha para trás, como caranguejo. Éramos cinco na frente e ainda chegava o Zito para ajudar. Hoje o mais comum é time só com atacante", concluiu.

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