Pelé é pouco aproveitado em transmissão 'alternativa' de jogo da seleção

CBF transmitiu o jogo, produto raro e caro nos negócios do futebol brasileiro, em educativos e estatais

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 10h27

Enquanto a seleção brasileira era mostrada na TV Brasil e TV Cultura, a Rede Globo seguia sua transmissão normal da grade das manhãs de sexta-feira, com o Bom dia São Paulo, por exemplo. Pela primeira vez nos últimos anos, a emissora do Rio não tinha parceria com a CBF para fazer a transmissão de uma partida do Brasil. O canal e seus parceiros, inclusive em tevê fechada, nada mostraram do jogo de Tite. Como os acordos financeiros não foram fechados, a CBF tratou de assumir a transmissão, abrindo um novo meio de negociar e apresentar os jogos. Contratou o narrador Nivaldo Pietro, da Fox, e os comentaristas Pelé e Denílson, da Band, para a transmissão de um estúdio na sede da CBF, no Rio.

O presidente Marco Polo del Nero concordou em oferecer o jogo, produto raro e caro nos negócios do futebol brasileiro, para os canais educativos e estatais. As imagens eram as mesmas nos dois canais, geradas a partir da organização da entidade máxima do futebol. A ruptura com a Globo, a princípio, marca uma nova era de exibição das partidas da seleção e do futebol, de modo geral, no País. Além das emissoras, o jogo foi vendido para alguns sites, como o UOL, que enfrentou problemas durante a transmissão, e na Vivo, patrocinadora oficial da CBF.

Tanto a TV Brasil quanto a TV Cultura não tiveram problemas durante os 90 minutos de bola rolando, exceto pela demora quando o narrador acionava o repórter, também da CBF, na Austrália, o que era natural pela distância das praças (Rio e Melbourne). Nos canais online da CBF, como na retransmissão no Facebook, torcedores reclamaram da perda de conexão e seguidas ‘travadas’ nas imagens.

A transmissão da TV usou e abusou dos comentários de Pelé e Denílson, sobretudo no intervalo da partida. Pelé, no entanto, poderia ter sido usado de melhor maneira, valendo-se mais de sua experiência ou lembranças dentro de campo. Sempre bem humorado, o Rei disse que estava pronto para entrar no time. Em alguns momentos, sua voz aparecia mais baixa do que o normal. Pelé e Denílson também estarão na partida do Brasil contra a Austrália na terça-feira. 

Durante o intervalo, os jogadores da seleção, em gravação prévia, saudavam a presença de Pelé na transmissão da CBF, a primeira dessa forma. Não havia como recusar o pedido da entidade. Também após o jogo, boa parte dos jogadores pararam para dar entrevista ao repórter da Casa, quase como uma obrigação. Até Tite deu uma palavrinha antes de seguir para sua tradicional entrevista coletiva, praxe em jogos oficiais. Tudo isso estava acordado entre a comissão técnica e a CBF TV, retransmissora das imagens.

A CBF também se valeu de alguns de seus patrocinadores durante a transmissão. Eles foram mostrados em rápidas chamadas em meio ao jogo, por uma voz não identificada, e também foram mostrados no intervalo, em banners no estúdio.

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