Pelé terá sala no Museu, que procura camisa listrada do Santos

Aberto para o público dia 15 de junho, portanto, antes da Copa do Mundo, local já recebeu a visita de 40 mil pessoas até setembro

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2014 | 17h00

O acervo de Pelé à disposição do seu museu em Santos tem 2.446 peças, todas sob o cuidado de Rogério Zilli. As relíquias estavam guardadas na casa do ex-jogador, num quarto isolado e seguro que a reportagem do Estado visitou em fevereiro de 2013. As peças contam a história do melhor atleta de todos os tempos, suas conquistas, como uma réplica da Jules Rimet, da Copa de 1970, presentes de personalidades, como as luvas de Muhammad Ali e as centenas de medalhas dadas a ele por mérito. O acervo seria completo não fosse pelo capricho de Zilli e um descuido do próprio Pelé.

Quando 'ganhou' o acervo para o Museu, Zilli sentiu falta de uma camisa listrada do Santos das décadas de 1960 e 70, que ele não guardou. Com o uniforme listrado, Pelé fez cerca de 40% dos 1.116 jogos que disputou pelo time da Vila de 1956 a 1974. Foi com esse modelo também que estreou na equipe e se despediu 18 anos depois, para jogar no Cosmos, dos EUA.

"O Pelé jogou muito com essa camisa listrada, mas infelizmente não guardou nenhuma. Tê-la no acervo resgataria parte de sua história no time. A família e ele tiveram a felicidade de guardar muita coisa da sua carreira. O acervo é bem completo, tem muita coisa interessante, mas sinto falta desta camisa. Nós temos duas camisas do Santos, mas brancas", diz Zilli.


Se Pelé não guardou, o único caminho de conseguir a relíquia é pelas mãos de algum outro jogador da época que trocou camisa com ele. O Museu Pelé precisa conferir a autenticidade do uniforme, verificar se ele foi mesma usado por Pelé.

O Museu, inaugurado dia 15 de junho, meio às pressas para a Copa, já recebeu 40 mil visitas. Depois dos santistas, torcedores e moradores da cidade, os estrangeiros são os que mais procuram o local, com destaque para chilenos, americanos e ingleses. O casarão do museu está localizado no Valongo, região portuária do centro histórico de Santos. O local passa por revitalização, cujo programa Alegra Centro já reformou, segundo dados da prefeitura, perto de mil prédios. Em suas imediações, há uma linha de bonde.

Apesar de conservar a estrutura do prédio do tempo em que era sede do Governo do Estado, as partes internas do Museu são novas e modernas, com investimento de R$ 50 milhões. Há uma loja com produtos da marca Pelé, espaço para a exposição Quatro Copa e um Rei, que fica até o fim do ano, e interatividade, onde o visitante pode, por exemplo, bater pênalti contra o goleiro Andrada, do Vasco, numa reedição do gol 1.000 de Pelé, que chutou a bola a 90 km/h.

Com uma sala no Museu, os visitantes têm a chance de encontrar o próprio Pelé, não o boneco de cera em tamanho real que ocupa um dos pavimentos, mas com o Rei de carne e osso, que dará expediente na parte superior do casarão. Pelé sempre agradece as homenagens que fazem para ele pelo simples fato de recebê-las em vida, como agora em seu Museu. "Vou morar aqui. A intenção é trabalhar e receber meus amigos neste espaço. Aqui será minha casa."

'Quatro Copas e um Rei' é a única exposição que será mostrada neste ano, com 160 peças. Entre as relíquias para matar saudade ou apresentar às crianças de Santos, que frequentam o museu com regularidade, é possível encontrar uma réplica da Jules Rimet ou aquele sombreiro colocado na cabeça de Pelé após a vitória contra a Itália na decisão da Copa de 1970. Zilli já trabalha em novos temas para 2015, mas prefere manter o assunto ainda em aberto.

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