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Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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Pelo futebol brasileiro

Flamengo joga o Mundial de Clubes por ele e para tirar da escuridão o nosso futebol

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2019 | 04h00

O futebol vive de lendas e histórias, ambas aumentadas com o passar dos anos por quem as conta. Nesta semana, o Flamengo versão 2019 tem a oportunidade de virar as duas coisas: história e lenda. Basta derrubar seus dois próximos adversários na temporada. 180 minutos de bola em jogo, com mais acréscimos e quem sabe prorrogação. Pênaltis talvez, embora muitos seguidores do time brasileiro esperam não contar com essa possibilidade. Já sofreram o bastante na decisão da Libertadores contra o River Plate, com os dois gols do time feitos nos dez últimos minutos. 

O caminho, desta vez, não se compara ao percorrido no Campeonato Brasileiro, por exemplo, quando a equipe do técnico Jorge Jesus foi derrubando e empilhando seus oponentes um a um.

Tampouco ao da Libertadores, em que apenas o clube argentino batido na decisão tinha reais condições de desbancá-lo. O jogo agora é outro. Haverá muita tensão em campo, gerada, sobretudo, pela ânsia de novamente um clube brasileiro, e o de maior torcida no País, ganhar o mundo. Faz tempo que o nosso calendário alimenta essa obsessão, de ganhar o Mundial de Clubes da Fifa, e o título de “melhor time do mundo”, que vale muito mais do que o dinheiro pago pela própria participação na competição – US$ 5 milhões, algo em torno de R$ 20 milhões. 

O Flamengo já fez isso uma vez, em 1981, diante do inglês Liverpool, mesmo adversário da edição deste ano se ambos passarem pela semifinal no Catar. Portanto, o Fla ainda tem na boca o sabor de ganhar o mundo. E isso só faz aumentar a pressão dentro de campo.

Independentemente dos sobressaltos do ano, o que entrará para a história será a conquista, a volta olímpica, os gritos ecoados pelo planeta de todos os rubro-negros em uma única voz, a taça nas mãos, erguida e festeja pelo capitão e por todos do time. Haverá torcedores pagando promessas, gente ajoelhada no gramado, chorando de alegria, talvez até invasão de campo...

Daqui a 50 anos, os amantes do futebol estarão ainda bebendo a conquista, gozando os rivais, contando e recontando histórias daquele torneio, de antes dele, sempre aumentando nos contos um ponto. Os atletas estarão velhos, barrigudos e carecas, mas serão reverenciados para todo o sempre, senão em pessoa ao menos na literatura.

É isso o que está em jogo nas partidas do Flamengo contra o Al-Hilal e depois diante do Liverpool, se passar pelo primeiro. É muito mais, portanto, do que um simples jogo de futebol.

Há muito mais em jogo em se tratando do Flamengo desta temporada. Esse time mudou os parâmetros do futebol nacional, o que o faz ainda mais responsável pelo sucesso em Doha, mesmo sem pedir ou clamar por isso. A verdade é que o Flamengo joga por todos nós. Joga para tirar o futebol brasileiro da escuridão, da mesmice, dos fracassos retumbantes, do medo...

De certo modo, já conseguiu isso. Muitos clubes se renderam ao seu futebol, de graça e talento, com objetividade e força no ataque, de coragem e resultados. O Flamengo derrubou defesas e técnicos. Quebrou barreiras e bateu recordes. Subiu o sarrafo e fez com que muitos dirigentes acreditassem no que ensinou. Deixou rastros que devem ser seguidos a partir do próximo ano. Todos quiseram ser Flamengo.

Daí a necessidade de esse time dar certo no Catar e voltar para casa com a conquista que lhe dará a tríplice coroa na temporada – Libertadores, Brasileirão e Mundial da Fifa.

O único senão dessa história toda é que em 2020, todo o caminho terá de ser feito novamente, começando pelo Estadual. Suas conquistas ficarão gravadas para sempre e serão passadas de geração a geração, mas elas não darão nada ao time na próxima temporada. Ele terá de percorrer seu caminho tudo de novo.

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