Pênaltis são imprevisíveis, apontam economistas

Duas pesquisas realizadas por economistas norte-americanos confirmaram o chavão consagrado por locutores: disputa de pênaltis é loteria. Segundo eles, o índice de acertos é sempre parecido, em torno de 75%, independentemente do canto escolhido pelo cobrador e do pé utilizado na cobrança. O assunto foi tema de matéria na edição deste domingo do jornal norte-americano The New York Times, que expandiu sua cobertura de futebol com a Copa do Mundo.Os economistas Pierre-André Chiappori (Universidade de Columbia), Steven D. Levitt (Universidade de Chicago) e Timothy J. Groseclose (UCLA) analisaram todas as cobranças realizadas no Campeonato Francês, de 1997 a 1999, e no Italiano, de 1997 a 2000. Os índices de acerto foram de 77% em caso de cobranças "naturais" - de pé direito no canto direto - e de 70% em cobranças "opostas", de pé esquerdo no canto direito. Os acertos chegaram a 81% em pênaltis cobrados no meio do gol, o que configura, segundo os economistas, um empate técnico.O estudo de Ignacio Palacios-Huerta, economista da Universidade Brown, computa os dados de 1995 a 2000 no futebol europeu. Em mais de 1.400 cobranças, ele também não viu diferenças relevantes no índice de acertos nos cantos direito e esquerdo e no meio do gol. Ele também fez análises individuais de jogadores que fizeram mais de 30 cobranças e de goleiros que tentaram mais de 30 defesas.O francês Zidane, que se aposenta depois da Copa, foi o penúltimo em aproveitamento, entre os 22 jogadores que tentaram mais de 30 cobranças - acertou 75%, bem menos que o italiano Alessandro Del Piero, que converteu 91% das tentativas. Por outro lado, o goleiro Buffon sofreu gols em 83% das cobranças, o que o coloca apenas como 16.º colocado na lista do pesquisador norte-americano.

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