Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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Penhora moral

Pedido da Justiça que atinge troféu do Mundial de 2012 do Corinthians simboliza a mudança de fase do clube

O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2018 | 03h00

O torcedor do Corinthians levou susto e teve de suportar gozações de rivais com a notícia de que o troféu de campeão do mundo, conquistado em 2012, fora penhorado para garantir pagamento de dívida. A Justiça tomou a decisão de sequestrar a peça histórica, obtida com o 1 a 0 sobre o Chelsea, no Japão, como punição pelo fato de o clube não ter cumprido ordem de pagar R$ 2,48 milhões num processo movido por uma instituição de ensino. A saia-justa fez com que o departamento jurídico alvinegro recorresse e, por meio de liminar, anteontem suspendeu a execução.

A taça não sairá do Parque São Jorge, disso o fiel pode ficar tranquilo. Estará em lugar de destaque até o fim dos tempos. A decisão judicial teve a evidente intenção de acelerar acordo e encerrar a pendenga. Tratou-se de impacto moral, simbólico, para chacoalhar a administração corintiana. O juiz que expediu a sentença, a universidade reclamante e o clube sabem que o gracioso mimo oferecido pela Fifa ao vencedor da competição não vale aquilo tudo, em termos financeiros. O valor é sentimental, e por isso inestimável.

O objetivo aparentemente foi atingido, pois o presidente Andrés Sanchez veio a público dizer que há outros recursos para saldar a questão. Com a ressalva de que o Corinthians também tem dinheiro a receber da faculdade. Ou seja, a briga é dos dois lados, e agora também a prefeitura entrou no circuito, ao alegar que há impostos atrasados, por parte da escola, e está de olho na sua parte, assim que aparecer o dinheiro. Um imbróglio para advogados.

O impacto está no que representa o episódio. Trata-se de nova amostra da fase de vacas magérrimas que aflige um dos times mais populares do Brasil – por sinal, ainda campeão brasileiro. O Corinthians que anos atrás deu salto de modernidade, com planejamento e conquistas no futebol, com ações de marketing atrevidas, com a construção da casa própria, murchou. A vanguarda ficou para trás, os débitos cresceram para todo canto, a ponto de a agremiação ter rendas penhoradas por não quitar conta com empresa que fornecia comida para os funcionários. O “caso das marmitas” soa folclórico, mas é de constrangimento ímpar.

Os reflexos do caixa baixo atingem o futebol. Mesmo com títulos paulistas e brasileiros, a queda na qualidade do elenco se acentua de 2015 para cá. Cada ano que entra decai o nível. Não é à toa que proposta razoável por qualquer jogador resulte em negócio fechado. Está na base do quem vier leva. Para pior, a direção acena com investimentos modestos para 2019. Não tem como ser diferente: como vai pagar valores altos, se está difícil para fechar o balanço do dia a dia. Sem trocadilho, está na base do vender o almoço para comprar a janta. A consequência disso: decepções dentro de campo, cobranças de torcedores, perda de prestígio.

Onde está o Corinthians ousado?

LÍDER EM CAMPO

Depois de muito tempo, o Palmeiras teve uma semana para se preparar para clássico no Brasileiro. Não que a folga tenha sido festejada; melhor seria o “desgaste” com participação na final da Libertadores. Bom, a festa fica para Boca e River, lá em Buenos Aires...

Para Felipão e atletas resta a perspectiva de mais um Brasileiro, o décimo na história palestrina. A vantagem sobre os perseguidores é boa e só será anulada se houver trapalhada no sprint. Até agora, a permanência no topo se dá de maneira impecável, com 17 rodadas de invencibilidade.

Sem menosprezar Flu, América, Paraná, Vasco e Vitória, os cinco compromissos restantes, se o Palmeiras bater o Atlético-MG, à tarde, em Belo Horizonte, já pode encomendar salgadinhos e chope, pois a festa sairá, talvez até antes do encerramento. Bola para tanto, o time tem; só não pode ser presunçoso, como o comentário do cronista.

 

 

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