Pep Guardiola diz que não conseguia mais motivar elenco do Barcelona

Treinador do Bayern de Munique relembra os motivos que o fizeram deixar a Espanha

O Estado de S. Paulo

19 de março de 2014 | 11h43

BARCELONA - A saída de Pep Guardiola do Barcelona provou que nem mesmo uma trajetória vitoriosa e recheada de conquistas são suficientes para segurar um treinador em seu cargo. Vencedor de 14 títulos durante os quatro anos em que comandou o clube catalão, o espanhol afirmou que não conseguia mais motivar os jogadores a equipe. As grandes estrelas do elenco complicaram ao ambiente. Se por um lado o alto nível dos jogadores tornava o Barcelona 'o time a ser batido', por outro, a briga de egos prejudicava o desenvolvimento dentro de campo.

"Com tantas estrelas em um time, como temos agora no Bayern de Munique e tivemos no Barcelona, você pode ter situações em que a diversidade também pode ser destrutiva. Todo mundo quer jogar, mas só posso escalar 11 jogadores. Aqueles que ficam no banco não gostam."

O desligamento do cargo foi confirmado após a eliminação do Barcelona para o Chelsea na temporada 2011/2012 da Liga dos Campeões, com duas derrotas. "Como o time já tinha ganhado tudo, percebi que estava cada vez mais difícil motivá-los. Houve um momento de grande tristeza no Barcelona, como se as luzes tivessem se apagado. Caímos na semifinal da Liga dos Campeões diante do Chelsea. Éramos muito melhores do que eles, mas sofremos um gol desnecessário e fomos eliminados. Isso foi uma grande perda para mim. Senti que não podia voltar atrás e levantar a equipe", lembra Guardiola.

A pressão era também oriunda das arquibancadas do Camp Nou. "Há uma pressão da imprensa e dos fãs, de ter de selecionar alguns jogadores para atuar. Por exemplo, toda vez que eu deixasse o Messi no banco, havia um clamor para que ele jogasse. Se como treinador você não pode mais motivar os seus jogadores, a hora de ir embora chegou", explicou Guardiola, dando os motivos que o levaram a deixar a equipe espanhola.

Após um período de férias, Pep Guardiola assumiu o alemão Bayern de Munique e, na Alemanha, já faturou o Mundial de Clubes e a Supercopa Uefa. Líder com folga no Campeonato Alemão, o Bayern é detentor e favorito ao título da Liga dos Campeões. Também deverá erguer a taça do Alemão com algumas rodadas de antecedência.

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