Carl Recine/Reuters
Carl Recine/Reuters

Pep Guardiola e Thomas Tuchel levam amizade e respeito mútuo à decisão da Liga dos Campeões

Treinadores de Manchester City e Chelsea são amigos desde 2013, quando trabalharam na Alemanha, e costumam debater esquemas táticos

Caio Possati, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2021 | 11h00

Neste sábado, Manchester City e Chelsea entram em campo para a disputa da final da Liga dos Campeões. A decisão, marcada para às 16h (horário de Brasília), no estádio do Estádio do Dragão, em Portugal, promete ser um dos jogos mais importantes da história dos dois times ingleses. Enquanto o Chelsea não ergue a taça do torneio desde a edição 2011/2012, o Manchester City terá a chance de levar o troféu para a casa pela primeira vez em sua história.

Para Pep Guardiola e Thomas Tuchel, dois dos principais técnicos da atualidade, a final será um novo capítulo de uma história de amizade entre os treinadores que começou na Alemanha há oito anos.

Em 2013, quando treinava o Bayern de Munique, Pep Guardiola ficou impressionado como o Mainz 05, comandado por Tuchel, havia conseguido dificultar a vida do seu time nas duas partidas que as equipes fizeram pela Bundesliga 2013/2014. Mesmo saindo vencedor nos dois duelos -  4 a 1 na Allianz Arena, e 2 a 0 na Opel Arena, quando o Mainz 05 conseguiu segurar o 0 a 0 até os 37 do segundo tempo -, Pep passou a ter com Tuchel uma relação para além do banco de reserva.

Depois de deixar o Mainz no final da temporada 2013/2014, Tuchel optou por viver um ano sabático e viajar para aprimorar os seus conhecimentos como treinador. Mas, um dos destinos onde mais aprendeu não foi muito longe de onde estava habituado a viver. Em Munique, no Schumman's Bar, o alemão se encontrou com Pep para uma reunião. Não demorou para a mesa virar um simulacro de campo e os copos, saleiros e pimenteiros em jogadores. Os treinadores passaram horas debatendo sobre futebol e mexendo os objetos para simular movimentos táticos.

Um novo encontro entre os treinadores aconteceu em 2015. Desta vez, Tuchel já havia voltado às atividades e ocupava o posto de técnico do Borussia Dortmund no lugar de Jürgen Klopp. O convite para o jantar aconteceu nos corredores da Allianz Arena, onde minutos antes o Bayern de Munique de Guardiola havia acabado de golear o Dortmund de Tuchel por 5 a 1.

“Os treinadores que dirigiam os dois primeiros colocados do Campeonato Alemão se reuniram de maneira privada, sem testemunhas, para compartilhar conhecimentos e sensações poucas horas depois de se enfrentarem em campo, como fazem os enxadristas. Nem Pep nem Tuchel temia revelar seus pensamentos um ao outro. O essencial ficaria guardado em segredo. No dia seguinte, Guardiola comentou muito sucintamente o conteúdo da conversa: ‘Se a Alemanha adotar o jogo de posição, será sobretudo graças a Tuchel’”, escreveu o jornalista espanhol Marti Perarnau em seu livro “Pep Guardiola: A Evolução”, (Editora Grande Área) que revela a admiração de Guardiola por Tuchel, a quem o considerava um potencial sucessor do seu trabalho no comando do time bávaro.

A primeira decisão e invencibilidade de Tuchel

A decisão deste sábado não será o primeiro título decidido pelos dois treinadores. No final da temporada 2014/215, quando o Bayern de Munique já havia se consagrado tetracampeão alemão, Guardiola e Tuchel se enfrentaram na decisão da Copa da Alemanha. Depois do empate por 0 a 0 persistir durante toda a partida no tempo normal e na prorrogação, o Bayern de Munique conquistou o título nas penalidades.

A decisão da Copa da Alemanha foi a última partida entre Guardiola e Tuchel em território alemão. Após ficar à frente do Bayern por três temporadas, o espanhol se mudou para a Inglaterra, onde aceitou o desafio de comandar o Manchester City na temporada 2015/2016. Tuchel continuou como treinador do Dortmund e venceu a Copa da Alemanha no final da temporada 2016/2017, quando encerrou o seu ciclo no comando dos aurinegros. Um ano depois, em maio de 2018, o alemão assinou com o Paris Saint-Germain com a missão de comandar um time repleto de estrelas e problemas de relacionamentos internos.

Enquanto Pep Guardiola conquistava títulos pelo City, na Inglaterra, Tuchel também colecionava taças em Paris - foram seis ao todo no clube francês. Na última temporada, o alemão chegou à decisão da Liga dos Campeões e quase ergueu o mais almejado dos troféus, mas acabou sendo superado na final para o Bayern de Munique, que venceu a decisão por 1 a 0.

O reencontro na Inglaterra e a invencibilidade de Tuchel

Em janeiro deste ano, Tuchel assinou com o Chelsea. Ao saber da chegada do amigo ao time londrino, Guardiola disse em entrevista: “Tuchel é um treinador excepcional. Tenho certeza que ele terá sucesso no Chelsea. Estou muito feliz em vê-lo jogar na Inglaterra. Quando eu era técnico do Bayern de Munique, joguei contra ele quando estava em Mainz. O trabalho no Dortmund foi incrível, a forma como ele fazia o Dortmund jogar era excelente. Lutamos muito para ganhar os títulos contra eles. Ele é meu amigo e estou feliz em revê-lo”, afirmou o treinador do Manchester City.

Nestes poucos mais de cinco meses em que os dois técnicos estiveram trabalhando na Inglaterra, Guardiola ainda não conseguiu superar “o amigo”. Em duas oportunidades, o Chelsea de Tuchel levou a melhor sobre o City de Guardiola: venceu o Citizen por 1 a 0, na semifinal da Copa da Inglaterra e, pelo Campeonato Inglês, saiu perdendo, mas virou o jogo para 2 a 1 no último minuto, em partida disputada no início de maio. A vitória do Chelsea adiou o título do City, que viria a conquistar a Premier League dias depois.

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