Frank Augstein/AP
Frank Augstein/AP

Pep Guardiola, o colecionador de títulos que faz história no futebol

Espanhol contabiliza 27 conquistas na carreira e está entre os treinadores com mais taças na história do esporte

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2019 | 04h33

Enquanto a discussão sobre o que Messi representa para a história do futebol permanece, apesar do fracasso na Liga dos Campeões, quem parece estar ainda mais em alta e na lista dos maiores de todos os tempos é Josep Guardiola. O espanhol de 48 anos conquistou no domingo mais um título para o seu vasto currículo de treinador, que conta com as principais competições europeias. Desta vez, ganhou o bi do Campeonato Inglês.

A goleada sobre o Brighton por 4 a 1, domingo, levou Guardiola a conquistar seu 27.º título na carreira, que começou em 2007, no Barcelona B. De lá para cá, todo ano ele levanta algum troféu e vai escrevendo seu nome na história do futebol. Profissionais que já trabalharam com ele são unânimes em afirmar que seu desejo de ganhar está diretamente relacionado à sua vontade de praticar um bom futebol. Para Pep, qualidade e competência caminham juntas dentro de campo. 

De acordo com levantamento feito pelo jornal espanhol Marca, Guardiola se tornou o quinto treinador com mais títulos na história do futebol mundial, dividindo o posto com o o escocês Jock Stein (que dirigiu times da Escócia e da Inglaterra entre as décadas de 1960 e 80). O jornal conta que o técnico tem 26 títulos, por não considerar a Terceira Divisão do Campeonato Espanhol na temporada 2007/08 pelo Barcelona B, quando ainda era um aprendiz.

À frente de Guardiola aparecem o alemão Ottmar Hitzfeld (28 conquistas), o ucraniano Valeriy Lobanovskiy (30), o romeno Mircea Lucescu (32) e o lendário escocês Alex Ferguson (49 taças). Desses, apenas Lucescu, de 73 anos, continua trabalhando, mas já ensaia sua aposentadoria. Guardiola está com 48 anos e parece ainda ter fome de títulos e uma longa carreira na Europa. 

Dos 27 títulos – ou 26, como contabiliza o Marca –, Guardiola deixa claro que o conquistado domingo foi o mais complicado e a disputa com o Liverpool ponto a ponto explica isso. "Conseguir 98 pontos depois dos 100 (da temporada passada) é incrível. Para chegarmos aqui, tivemos de ganhar 14 jogos consecutivos e não podíamos perder um único ponto. Foi, como treinador, o título mais difícil da minha carreira por causa da qualidade dos rivais", comentou o treinador, fstejado pelos jogadores do time. 

Sua capacidade para conquistar títulos faz com que constantemente seu nome seja lembrado para dirigir a seleção espanhola. Sempre que questionado sobre o assunto, Guardiola diz que espera um dia treinar "alguma seleção" e já comentou várias vezes que é fã da seleção brasileira de 1982, que tinha Zico, Falcão e Sócrates, entre tantos outros craques.

O dinheiro dos clubes europeus, todos gigantes, ajuda muito o treinador a ter sucesso, mas não é somente isso que faz de Pep Guardiola um cara vencedor. Seu estilo ajuda muito. NO Barcelona, por exemplo, ele adotou o toque de bola para colocar os rivais na roda, mas com objetividade até chegar ao gol. Messi e Iniesta eram os maestros. No Bayern de Munique se valeu mais da força e da movimentação de seus homens do meio, que chegavam muito facilmente ao ataque. O Bayern tinha uma pré-disposição: fazer gols.

Xabi Alonso fazia a organização. Mas não tardou para que Guardiola apostasse alto em Ribéry, Coman, Müller, Thiago Alcântara e Götze na frente, formando uma linha de atacantes à moda antiga, com dois pontas, dois meias e um centroavante. Era só ataque. O famoso 2-3-5.

 

DO BARCELONA PARA O MUNDO

O Manchester City foi campeão com 98 pontos, um a mais do que o Liverpool, que perdeu apenas um jogo na temporada, justamente para a equipe de Guardiola. Mas, para não deixar o título escapar, o clube de Manchester venceu 14 jogos consecutivos, o que valorizou ainda mais o feito do último domingo. O City de Guardiola é um time que marca lá na área do adversário, tem uma saída rápida e movimentação veloz de seus homens de meio e frente.

Portanto, em cada um dos grandes da Europa nos últimos anos (Barcelona, Bayern de City), Pep Guardiola se valeu de um esquema de jogo diferente, muito de acordo com o DNA dos clubes e com o poder de jogo que tinha em mãos. Ou seja, não é um treinador de estilo pronto. Isso o faz ainda mais especial.

Apesar de estar em alta no City, o nome de Guardiola ainda é ligado ao Barcelona, onde deixou história e um legado. Ele é daqueles treinadores que vibram com as jogadas bonitas. Trabalhou com Messi com sucesso. Dos 27 títulos, um foi conquistado pelo Barcelona B e 14 pelo time principal catalão. Ele tem ainda mais sete taças pelo Bayern de Munique e agora cinco pelo Manchester City. No fim de semana, sábado, pode ganhar mais um, a Copa da Inglaterra. 

 

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