Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

'Perdi um filho que coloquei no mundo', afirma fundador da Chapecoense

Altair Zanella, hoje com 75 anos, agradece a força que clube tem recebido e torce para que não venha a ser abandonado

Daniel Batista e Gilberto Amendola, enviados especial a Chapecó, O Estadão

04 de dezembro de 2016 | 06h00

“Perdi um filho que coloquei no mundo, vi crescer, me dar orgulho e agora morreu de forma trágica.” Assim Altair Zanella resume a tragédia envolvendo o elenco da Chapecoense. Um dos fundadores do clube catarinense, o fanático torcedor ainda tenta entender o que aconteceu e não consegue se recordar dos seus “meninos” sem chorar.

“Eles não eram daqueles jogadores que vinham para a Chapecoense só pensando em dinheiro. Eles tinham mesmo amor à camisa, assim como a diretoria. Ainda bem que faço tratamento no coração, caso contrário, acho que não aguentaria”, contou o senhor de 75 anos que, ao lado de Alvadir Pelisser, Heitor Pasqualotto, Lotário Immich e Vicente Delai, formou o simpático clube de Chapecó no dia 10 de maio de 1973. 

A equipe teve origem em uma fusão do Independente e Clube Atlético de Chapecó, dois times de várzea do interior catarinense. A ideia inicial era que apenas disputasse torneios amadores. Não havia menor pretensão em transformá-lo no clube com o tamanho que tem atualmente. 

Simpático e querido pelos funcionários da Chapecoense, Altair Zanella se emociona ao ver a forma carinhosa com que todo o mundo tem tratado seu “filho”. “Saber que tanta gente tem dado força para nos reerguer dá uma satisfação e um orgulho de dever cumprido muito grande. Só peço para que não abandonem a Chapecoense. Precisamos de todas as forças possíveis para nos reerguer”, pediu o fundador, com voz embargada.

Conhecedor de toda a história do clube, Altair não pensa duas vezes quando questionado sobre o momento mais feliz nos 43 anos de vida do clube. “Ver o time subir para a Série A foi o momento mais marcante. Ficou uma satisfação e vi que havia participado da construção de uma família, que hoje está abalada, mas não podemos deixar morrer”, disse, lembrando que a Chape ascendeu para a Série A do Campeonato Brasileiro em 2013, após sucessivos acessos – que tiveram início com o clube saindo da Série D. 

Além de Altair, outro que participou da fundação do clube e que de vez em quando frequenta a Arena Condá é Alvadir Pelisser, um dos responsáveis pela escolha das cores verdes do uniforme. 

“Eu era torcedor do Palmeiras, Juventude e Caxias, então pensamos em fazer outro time de verde e deu certo”, contou o ex-dirigente, que atualmente tem 80 anos e está se recuperando de um AVC sofrido recentemente. Por causa de sua saúde debilitada, ele não foi à arena nos últimos dias.

Ver a Chapecoense chegar a uma decisão de um torneio continental e com chances de sagrar-se campeã, foi algo surpreendente e grandioso demais para seu Altair, que, ao fundar o clube, tinha planos muito menos ambiciosos.

“Nunca pensei que a Chapecoense iria crescer como cresceu. Evoluiu muito e acredito que podemos nos reerguer e evoluir mais. Tomara que a nova diretoria tenha força e ânimo para continuar e refazer um time forte e que possa chegar mais alto”, deseja.

APOIO POPULAR

Altair acredita que a tragédia pode mexer também com o crescimento da cidade de Chapecó. “Nosso objetivo era montar um time de amigos, mas a Chapecoense ajudou muito no crescimento da cidade. Basta ver como falam do clube e da cidade nos programas de TV e nos jornais. Já falavam antes mesmo da tragédia”, dá como exemplo.

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