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"Perigo, perigo!"

Clássico em Itaquera apresenta grande risco ao São Paulo

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2016 | 05h00

O São Paulo visita o Corinthians, logo mais, no estádio de Itaquera, com ecos do robô de Perdidos no Espaço a estontear-lhe os ouvidos. Os mais velhos lembram da série, que fez sucesso lá nos cafundós dos anos 1960; a garotada já viu em alguma tevê por assinatura ou youtube da vida. É cult.

A engenhoca falante lascava o bordão "Perigo, perigo!", ao menos uma vez em cada episódio. Sobretudo quando o doutor Smith, seu criador e cientista aloprado, tentava armar encrenca ou maracutaia, em alguma galáxia qualquer por onde vagavam junto com a família Robinson. O robô era a estrela da fita.

O alerta está na cabeça dos tricolores – e razões para tanto não faltam. Em primeiro lugar, obviamente, pela desclassificação na Libertadores. A derrota para o Nacional de Medellín desgastou o grupo, física e emocionalmente. Houve protestos contra arbitragem, expulsões e o fim do sonho do tetra continental. Depois, a viagem de volta, o pouco tempo para recompor forças e já pela frente um clássico local.

O sobrepeso aparece com as baixas no grupo, que abrem buracos na formação que Edgardo Bauza penou para ter contorno de equilíbrio, precário que fosse. Ganso está de saída, Calleri já se despediu, assim como Alan Kardec, reserva que não marcou época no Morumbi, mas alternativa a menos. O elenco não era brilhante e, a partir de agora, se mostra capenga. A recomposição se faz necessária e urgente.

Como desgraça pouca é besteira, o desafiante está em ascensão, briga pela ponta, pode até sair da rodada como líder, se Palmeiras e Grêmio tropicarem. O São Paulo baixou para o oitavo lugar e tem de ganhar, para não ver abismo entre si e o bloco principal.

De quebra, o Corinthians está completo, animado sob o comando de Cristóvão Borges (quatro vitórias enfileiradas) e sem maiores dilemas. E, como não custa lembrar, o retrospecto aponta derrotas são-paulinas, nas quatro visitas feitas ao estádio da Zona Leste.

Panorama sob medida para fazer do domingo do São Paulo uma sessão de angústia, um estrupício numa casa adversária cheia e de torcida única. Mas, desse turbilhão, a rapaziada de Bauza pode arrancar força para a reação. Terá de ser na marra, no suor e com muita habilidade. A balança no momento pende demais para o lado alvinegro.

No entanto, há algo que boleiro não nega: jogo contra rival de renome estimula, atiça a vontade, aguça a curiosidade. Jogador de futebol que se preze esquece dores e decepções, quando se depara com camisa de respeito, e cresce. É fato, não uma lenda da bola.

Bauza não tem muito o que inventar. A defesa é a mesma das últimas apresentações, com o retorno de Maicon, suspenso na empreitada na Colômbia. Lugano, o xerife incensado na volta, não passa de opção de banco. No meio, Cueva tem oportunidade de cavar espaço, com a retirada de Ganso; Ytalo jogará mais à frente, onde render melhor. Não será fácil substituir Calleri. Não há saída para o São Paulo, a não ser tocar a vida adiante.

E o Corinthians? Cristóvão pegou a base de Tite, no princípio mexeu pouca coisa. Devagar, molda o time à sua maneira. Cássio recobrou o posto no gol, Rodriguinho aparece com mais frequência no meio, assim como Romero se solta, o que não ocorreu com o ex-chefe. Danilo volta a ser convocado para o papel de falso centroavante. Taí posição que anda enroscada e carente.

Está com jeito de bom jogo.

Perigo vermelho. Tabu soa meio conversa fiada, mas anima ou bota medo, a depender dos números. Para o Palmeiras, pegar o Inter em Porto Alegre é martírio. Faz 19 anos que não volta de Porto Alegre com vitória nos choques com o Colorado. A fase de ambos é oposta: o time de Cuca lidera, com um ponto à frente do Corinthians (29 a 28). Os gaúchos desceram a ladeira, pararam nos 20, mas exibem como atração Falcão como técnico. Pode não fazer diferença nenhuma, sabe-se lá, mas professor novo sempre motiva a turma.

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