Peritos alemães analisam caixa preta do acidente na Arena Corinthians

Técnicos investigam equipamento do guindaste para tentar esclarecer as causas da tragédia

Almir Leite e Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2013 | 08h34

SÃO PAULO - Peritos alemães da Liebherr, fabricante do guindaste utilizado para a instalação da cobertura da Arena Corinthians, estiveram nesta sexta-feira no local do acidente que matou os operários Fábio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos na quarta-feira. O objetivo foi investigar a caixa preta do equipamento, um dispositivo eletrônico instalado na cabine capaz de gravar as informações operacionais e os movimentos do veículo, e tentar esclarecer as razões do tombamento do guindaste.

A presença dos alemães foi solicitada pelas empresas Locar e Liber, terceirizadas responsáveis pelo guindaste. Também participaram da inspeção representantes da construtora Odebrecht, técnicos da Defesa Civil, representantes do Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada), e o presidente do Instituto de Engenharia, Camil Eid. A empresa alemã não definiu um prazo para finalizar a análise da caixa preta.

Um técnico que acompanhou a perícia realizada na quinta-feira disse ao Estado que a hipótese de movimentação do solo estaria descartada como causa do acidente. Restariam as hipóteses de problema mecânico ou falha humana - a mais provável na visão do técnico. Outra conclusão da vistoria aponta que os prejuízos - financeiros e de cronograma - foram menores do que poderiam ter ocorrido num acidente com um equipamento tão pesado.

Mesmo com o embargo dos nove guindastes por tempo indeterminado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a Odebrecht confirmou ontem que planeja retomar as obras na segunda-feira no prédio oeste, norte e sul, arquibancadas e gramado, com 1.530 trabalhadores, todo o efetivo disponível. Os trabalhos abrangem itens como instalações elétricas e hidráulicas, assentos definitivos, revestimento de pisos, paredes e forros e de sistemas de som.

Nos próximos dias será lavrado o auto de interdição, documento que estabelecerá o prazo necessário para que sejam feitas obras emergenciais na área afetada. Estão interditados 30% do prédio leste. A área equivale a 5% do total do estádio.

A utilização dos nove guindastes disponíveis nas obras está proibida até que a Odebrecht comprove que foram submetidos à manutenção preventiva e corretiva. Depois disso, a construtora vai utilizar dois equipamentos menores para içar uma nova peça metálica de sustentação da cobertura - essa peça já foi encomendada. De acordo com o presidente do Instituto de Engenharia, só há mais um guindaste LR11350 (modelo envolvido no acidente) na América Latina, e a construtora entende ser mais viável usar dois de menor capacidade.

SEM DEPOIMENTO 

O operador de guindaste José Walter Joaquim, envolvido no acidente na Arena Corinthians, não compareceu ao 65.º Distrito Policial de Artur Alvim, na zona leste de São Paulo, para prestar seu depoimento. O delegado Luiz Antonio da Cruz, responsável pelo caso, explica que ele havia sido convocado informalmente e, por isso, não havia obrigatoriedade de comparecimento. A intimação formal será feita na próxima semana.  Na visão do delegado, o depoimento de Joaquim é peça importante, mas não pode nortear totalmente o inquérito. "Precisamos analisar um conjunto de provas, não apenas um depoimento", diz Cruz.

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