Tsafrir Abayov/AP
Tsafrir Abayov/AP

Perto de chegar ao País, Blatter avisa Dilma: 'Estamos no mesmo barco'

Suíço lança em São Paulo sua candidatura para mais quatro anos como presidente da Fifa

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 14h04

GENEBRA - O presidente da Fifa, Joseph Blatter, desembarca no Brasil neste domingo para a Copa do Mundo e alerta: ele a presidente Dilma Rousseff estão "no mesmo barco" diante de um evento polêmico e permeado por problemas ainda. Blatter fez questão de reservar seu primeiro dia no Brasil para ir até Brasília para uma reunião com Dilma, na segunda-feira.

Nos últimos anos, a relação entre a Fifa e o Brasil foi permeada por tensões e polêmicas, com críticas mútuas e um esforço de ambos os lados de jogar a culpa por um fracasso ao outro. Agora, Blatter insiste em apontar que um fracasso pode ter consequências tanto para Brasília quanto para a Fifa.

"Estamos no mesmo barco e o barco é o de entregar a melhor Copa do Mundo já realizada", declarou o cartola suíço que vai para seu décimo Mundial. "Será uma grande Copa", insistiu.

Dilma, há menos de um mês, criticou de forma aberta Blatter, apontando que o cartola seria "um peso". "Tirem o Blatter e o Valcke das minhas costas!", disse. Já a Fifa deixou claro sua insatisfação diante do que acredita que seja uma "pouca vontade" da presidente em resolver problemas nas diferentes cidades. A direção da entidade chegou a alertar que, para o futuro e depois da experiência com Dilma, vai exigir maiores compromissos dos governos que assumem a responsabilidade de fazer a Copa.

ETERNO

Mas Blatter viaja ao Brasil com sua própria eleição no horizonte. Ele declarou que vai lançar sua campanha para mais um mandato como presidente da Fifa, a partir de 2015, e deixa claro que não quer largar o trono. "Minha missão nunca acaba", explicou o cartola que desde 1998 presidente a entidade.

Antes de a bola rolar, a Fifa realiza seu congresso anual, com as 209 federações mundiais.  O suíço, porém, negou que seja "um candidato". "O que eu vou fazer é me colocar à disposição do Congresso da Fifa. Estou à disposição para um novo mandato. Mas cabe a eles dizerem se sim ou não", esclareceu.

Blatter vai ainda pedir "unidade" na entidade, numa referência a um consenso em relação a seu nome. "Se a Fifa vai bem, com a mesma pessoa, então podemos exprimir isso", declarou.

Um dos pontos centrais da agenda da Fifa no Brasil será a de aprovar ou não regras que coloquem limite aos mandatos no comando da entidade. Uma das propostas é de que o limite seja de oito anos. Blatter poderá aceitar o princípio, desde que comece a valer a partir de 2019. Há também uma proposta para limitar um candidato que tenha mais de 80 anos. Mas Blatter, com 79 anos, já indicou que é contrário, alegando que, se alguém tem saúde, deve continuar.

Blatter é presidente da Fifa desde 1998, mas trabalha na entidade desde os anos 70. Se ele for eleito, o suíço vai superar João Havelange para se tornar o homem que mais tempo passou no comando do futebol mundial.

As eleições ocorrem em 2015 e o processo já conta com pelo menos um outro candidato: o francês Jerome Champagne, ex-braço direito do próprio Blatter. Mas a principal ameaça vem de Michel Platini, presidente da Uefa.

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