Peruanos se dividem na torcida

Em tempos de Romeu corintiano e Julieta palmeirense, o futebol leva ao estádio também a união entre homens e mulheres de diferentes nacionalidades. James Castañeda, 39 anos, é peruano. Patrícia, sua esposa, é brasileira. Lado a lado, cada um torceu pela seleção de seu país, hoje, no estádio Serra Dourada, em Goiânia. Sem brigas. "É a primeira vez que viemos a um estádio. É uma emoção diferente, sem dúvida. Mas quando o jogo começar, vou torcer para o Peru", dizia James. "E eu, pelo Brasil", completou Patrícia. Ao contrário do filme "O casamento de Romeu & Julieta", de Bruno Barreto, que está em cartaz nos cinemas desde a semana retrasada, James e Patrícia nunca se meteram em situações inusitadas por causa do futebol. Mas seus filhos, sim. São três: dois meninos e uma menina. O mais velho, Manolo, de nove anos, é quem mais "sofre". Hoje, ele foi ao Serra Dourada com uma camisa do Brasil e o rosto pintado de vermelho e branco, as cores peruanas. E o mais irônico é que não é nem uma coisa, nem outra. "Nasci na Espanha, gosto do Brasil por causa da minha mãe, e do Peru por causa do meu pai", disse o garoto. "Não sei por quem torcer. Acho que, pra mim, tanto faz quem vai ganhar", emendou. A família Castañeda mora em Brasília. James é arquiteto e está no Brasil já há 22 anos. Por isso, sente-se também um pouco brasileiro. Mas só até a bola começar. Fanático pela seleção de seu país, ele tem tentado fazer com que seus filhos torçam para o Peru, mas está difícil. "Não conheço nenhum jogador do Peru. Do Brasil, gosto do Ronaldo, do Ronaldinho, do Kaká...", disse Manolo. Seu irmão Pablo, de seis anos, também simpatiza mais com o Brasil. A caçula Marina, de um ano, ainda não fala. Mas as cores verde e amarela pintadas em seu rosto são um bom indicativo da seleção para qual ela torceu hoje. Além de James, cerca de outros 100 peruanos acompanharam o jogo no Serra Dourada, no setor das numeradas. Numeradas? "É incrível, mas parece que aqui no Brasil o número do bilhete não serve para nada. Já tem gente sentada na minha cadeira", reclamava o peruano Eduardo Santa Cruz, 30 anos. Vigília no hotel - O povo de Goiás é fanático pela Seleção Brasileira. Ronaldo, Roberto Carlos & Cia. foram o principal assunto dos goianos nos dois dias em que a Seleção esteve na cidade. Dezenas de torcedores fizeram vigília na porta do hotel em que a delegação esteve hospedada. Hoje, duas horas antes do início do jogo as arquibancadas do Serra Dourada já estavam completamente tomadas. Todos os pouco mais de 50 mil ingressos haviam sido vendidos rapidamente e com antecedência. Os times de maior torcida em Goiânia são o Goiás e o Vila Nova. Mas isso só em parte. A grande maioria dos aficionados por futebol tem "dupla identidade" - além de torcerem pelos clubes locais, torcem também por um time de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Corinthians, São Paulo, Flamengo e Vasco são os preferidos. Cerca de R$ 8 milhões foram gastos pelo Governo do Estado de Goiás na reforma do Serra Dourada. Foram feitos reparos nas arquibancadas, marquises, vestiários, gramado e sistema de som do estádio, que está completando 30 anos neste mês de março. Dois novos placares eletrônicos também foram instalados. Para o primeiro semestre do ano que vem, já está programado um amistoso da Seleção Brasileira no Serra Dourada, pouco antes da Copa do Mundo. O adversário ainda não foi definido.

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