Peso do favoritismo

Desde que garantiram classificação para a final, há um mês, Santos e Palmeiras têm convivido com prognósticos opostos. A equipe de Dorival Júnior conta com o consenso de que é favorita. Para o time de Marcelo Oliveira resta o papel de azarão na definição de quem ficará com o título da Copa do Brasil e, por extensão, ganhará uma vaga na Libertadores.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 03h00

Não há injustiça nem exagero na preferência pelo lado alvinegro do tira-teima. O Santos merece o olhar benevolente, por aquilo que passou a fazer desde a chegada do treinador - num momento de enorme risco, em que frequentava a zona de rebaixamento do Brasileiro. Houve reação notável, com arrancada para o bloco principal, e atropelamentos de adversários na Copa. Enfim, ressurgiu e chega ao fim da temporada em alta. 

Na parte verde está um grupo que recebeu novos integrantes até meses atrás - impressionante a quantidade de jogadores contratados -, demorou para compor-se, visitou o G-4 de passagem, empolgou a plateia e murchou. O Palmeiras passou de sensação a enigma, trocou a vocação de marcar muitos gols para passar a sofrê-los. O ataque se encolheu e a defesa se esfacelou.

O panorama é este para o clássico que abre, na noite de hoje, a decisão da última taça nacional no ano. Para aumentar a esperança santista, há o retrospecto em casa, composto de quantidade arrepiante de vitórias em 2015, independentemente da competição. Para fomentar o tormento palestrino, se contrapõe a timidez com que se comportou como visitante, seja no Paulista, na Série A ou na própria Copa. 

Em resumo, quadro perfeito para uma vitória avassaladora do Santos, daquelas de permitir que se encomende o chope para a festa, na semana que vem, no campo do rival. E aí está o perigo. Claro que se trata de constatação sensata falar da superioridade do Santos; porém, terá de suportar a pressão, a responsabilidade de vencer recai sobre si. 

Disso pode aproveitar-se o Palmeiras, sem se sentir diminuído. Não será fácil segurar a meninada da Vila, sob a batuta dos veteranos Renato e Ricardo Oliveira. No entanto, se tiver equilíbrio que lhe faltou nas últimas sete apresentações no Campeonato Brasileiro, pode ter a presunção de subir a serra com resultado interessante. E o que seria interessante? Empate, derrota por diferença pequena. Vitória será excepcional. 

Para tanto, se exige equilíbrio de Robinho e Dudu, que andaram nervosos, liderança de Arouca e Zé Roberto, no meio, e de Prass na retaguarda. Para Gabriel Jesus é o grande teste do ano, o momento da transição de jovem promessa a realidade. Há coadjuvantes com missão delicada, como os zagueiros, como Lucas (importante na marcação e nas descidas ao ataque) e do instável Lucas Barrios. Resumo da ópera: o Palmeiras terá de jogar como nunca.

Porque não é moleza segurar a empolgação de Lucas Lima, Marquinhos Gabriel, Gabriel, Vcitor Ferraz, Zeca. E o oportunismo de Ricardo Oliveira. O Santos joga fácil - embora estivesse mais empolgante no início do mês, época em que deveria ter sido disputado o primeiro jogo. O adiamento foi a pedido santista. O Palmeiras tem a prova de fogo de que o investimento intenso resultará num 2016 com perspectivas animadoras. Um fato seguro - nem precisa ser visionário: não é jogo para 0 a 0, pois contraria estilo, espírito e vocação dos dois finalistas da Copa.

PRAZER

Ver Barcelona e Bayern em ação dá gosto. E escrever isto é chover no molhado, mas vale a repetição. Os dois gigantes atropelaram, na rodada de ontem da Champions League. O Barça com os 6 a 1 na Roma e o Bayern com 4 a 0 no Olympiakos. Resultados obtidos com graça, leveza, dribles, arrancadas, trocas de passes, tabelas, gols bonitos. Não se trata só de nomes - craques, contam, e muito. Sobretudo vale a mentalidade, a filosofia. São times voltados para vencer, e passam isso para jogadores e técnicos. A torcida agradece.

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