Patrick Smith/ AFP
Patrick Smith/ AFP

Pesquisa mostra aumento acentuado de sintomas de depressão entre jogadores

Presidente de sindicato mundial ressalta que muitos dos atletas do esporte vivem situação financeira precária

Reuters, Reuters

20 de abril de 2020 | 16h49

O sindicato mundial de jogadores FIFPro afirma que houve um aumento acentuado no número de atletas que relatam sintomas de depressão ou ansiedade desde que o futebol foi paralisado pelo surto de Covid-19.

O FIFPro disse que 22% das mulheres e 13% dos homens participantes de uma pesquisa relataram sintomas “consistentes com o diagnóstico de depressão”, como falta de interesse, de apetite, de energia e de auto-estima. Isso foi comparado a 11% e 6%, respectivamente, em uma pesquisa semelhante realizada em dezembro e janeiro.

De acordo com a sondagem, 18% das jogadoras e 16% dos jogadores relataram sintomas de ansiedade generalizada, como preocupação ou tensão. Houve ainda 11% das mulheres e 7,5% dos homens que disseram ter os dois conjuntos de sintomas, informou o FIFPro.

“No futebol, jovens atletas de ambos os sexos estão enfrentando de forma repentina o isolamento social, uma suspensão de suas vidas profissionais e dúvidas sobre o futuro”, disse o médico chefe do FIFPro, Vincent Gouttebarge. “É um momento de enorme incerteza para os jogadores e suas famílias devido à insegurança de seu futuro e ao isolamento social.”

O FIFPro afirmou que a pesquisa, realizada com o Centro Médico da Universidade de Amsterdã, incluiu 1.134 jogadores do sexo masculino, com idade média de 26 anos, e 468 jogadoras, com idade média de 23 anos, em 16 países.

Em uma nota mais positiva, Gouttebarge disse que quase 80% dos jogadores pesquisados ​​relataram ter acesso a recursos e apoio suficientes para sua saúde mental, geralmente através de associações nacionais de jogadores.

O secretário-geral do FIFPro, Jonas Baer-Hoffmann, disse que não estava tentando fazer dos jogadores de futebol um caso especial. “Estamos muito conscientes de que isso é reflexo de um problema na sociedade em geral e não há sugestão de que seja mais grave para nossos membros”, declarou Baer-Hoffmann.

Ele ressaltou que muitos jogadores vivem uma situação financeira precária. “A duração média do contrato é inferior a dois anos e a renda média é próxima à da população em geral”, disse. “Muitos são incrivelmente dependentes de suas habilidades no futebol e não estão preparados para o virá depois.”

Tudo o que sabemos sobre:
futeboldepressãocoronavírus

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.