PF investiga jogadores de Pitta e Martins

Todos os jogadores que tiveram ou ainda mantém vínculo profissional com os procuradores Alexandre Martins e Reinado Pitta serão investigados pela Polícia Federal. Mas, o coordenador da ?Operação Firula?, responsável pela prisão dos dois empresários e seus familiares, o delegado Algacir Mikalowski, da Delegacia de Repressão à Crimes Financeiros da PF (Delefin), frisou que não haverá uma ?caça às bruxas?.Mikalowski explicou que para investigar os supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal praticados por Martins e Pitta, que culminou com suas prisões na quinta-feira, será necessário analisar todas as transações financeiras praticadas por ambos. Neste contexto, os jogadores empresariados por eles poderão ser chamados para depor.?Não há nenhum indício de crime cometido por algum jogador ou técnico até o momento. O que estamos fazendo é analisando toda a movimentação financeira envolvendo Pitta e Martins?, explicou Mikalowski, que pediu ajuda ao Banco Central e à Receita Federal. ?É preciso ver se realmente há algo errado para intimarmos alguém para depor. Mas, ninguém foi chamado.? Até o início da noite desta terça-feira, na página da Gortin Promoções, empresa de Martins e Pitta, 41 atletas integravam a lista de agenciados. Dentre eles, o meia Felipe, do Al Sadd (Catar), o lateral-esquerdo do Herta Berlim, Gilberto, e o lateral-direito do Fluminense, Gabriel.Tanto Felipe, quanto Gilberto e Gabriel não se mostraram preocupados com as investigações e se colocaram à disposição da Justiça. ?Não tenho nada a temer, já que sempre fiz tudo legalmente. Minha transferência para o Catar, por exemplo, aconteceu no início de novembro e só constará na declaração do meu imposto de renda do próximo ano?, afirmou Felipe.Os nomes do técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, e o atacante Ronaldo, do Real Madrid, também apareceram entre os que já fizeram transações com os dois empresários. Enquanto o craque da seleção foi empresariado por ambos, o treinador vendeu para Martins, em 1998, um apartamento.?O Parreira queria ir à Polícia Federal depor justamente para evitar esse constrangimento. Mas, o próprio delegado pediu para adiarmos a ida?, contou a advogada do técnico da seleção, Ilcelene Bottari. ?O dinheiro da venda foi declarado no Imposto de Renda e o Parreira está tranqüilo. Agora, ele não tem como saber se o Martins arrumou o montante para pagá-lo de forma lícita ou não.? Nesta terça, Mikalowski cogitou até a possibilidade de Parreira não ter que prestar esclarecimentos. Destacou que com a apreensão de novos documentos pela ?Operação Firula? o depoimento do treinador poderá ser desnecessário. O delegado da Delefin não soube precisar uma data para o término da análise dos documentos apreendidos ou quando atletas, técnicos e empresários envolvidos com Martins e Pitta serão chamados para falarem o caso.Martins e Pitta permanecem presos em uma cela comum no Presído Ary Franco, em Água Santa, na zona norte. Além deles, outras três pessoas estão sob a guarda policial: o filho de Pitta, Rodrigo, que também está no Ary Franco, e Aloísio de Freitas e Renata Pitta, que cumprem cárcere domiciliar.

Agencia Estado,

13 de dezembro de 2005 | 19h00

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