Montagem/AP
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Polícia Federal realiza operação em sede de parceira da CBF

Empresa negocia direitos de transmissão da Copa de 2018

Marcio Dolzan e Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2015 | 20h32

Agentes da Polícia Federal (PF) e promotores do Ministério Público Federal (MPF) realizaram na noite desta quarta-feira uma operação de busca e apreensão de documentos na sede da Klefer Marketing Esportivo, empresa responsável por negociar contratos de transmissão de jogos para a CBF.

O Ministério da Justiça confirmou que a operação faz parte de um pedido de cooperação feito pela governo dos Estados Unidos, que investiga um grande esquema de corrupção envolvendo membros da FIFA. Mais cedo, na Suiça, dirigentes da entidade foram detidos, entre eles, o ex-presidente da CBF José Maria Marín.

Um dos sócios da Klefer, o ex-presidente do Flamengo Kleber Leite negou, por meio de nota, haver irregularidades na relação de sua empresa com a CBF. "Jamais usamos deste expediente (pagamento de propina) para obtenção de qualquer contrato ao longo dos 32 (TRINTA E DOIS!) anos de vida da Klefer", diz a publicação.

"Para encerrar, acuso que recebemos na Klefer as visitas do Ministério Público e da Polícia Federal, em ato de cooperação com o Governo Americano, e que todos os documentos solicitados foram prontamente entregues. A Klefer, através de seus dirigentes, está inteiramente à disposição das autoridades."

J. HAWILLA

Leite ainda culpou o empresário J. Hawilla, dono da Traffic, pelo envolvimento de seu nome na investigação do FBI que prendeu cartolas do futebol. Segundo o ex-presidente do Fla, ele só está sendo investigado devido a um acordo que fez com Hawilla por conta dos direitos da Copa do Brasil. De acordo com ele, a Kefler assumiu os direitos da competição em janeiro, mas foi procurada pela Traffic - que detinha os direitos até dezembro - para participar do novo acordo, que é válido até 2022.

"Houve um apelo dele (Hawilla) para mim, no sentido que a Traffic pudesse continuar nesse processo, que a situação da empresa dele era delicada. Eles tinham poucas situações de propriedade no momento. Como nossa relação é antiga, e fica um pouco de afinidade disso, de relação até de ordem familiar, reuni aqui os sócios e todos concordaram em abrir essa possibilidade para a Traffic, o que foi feito", explicou Leite.

"A atitude, do depoimento da pessoa em questão (Hawilla), eu jamais poderia esperar. Essa própria competição, que é a única relação que nós temos, poderia não estar sendo dividida hoje com a Traffic. Está por uma concessão nossa. Me causa espanto que isso possa ter partido dele, até porque mais do que ninguém ele sabe como se age e como se trabalha aqui", comentou o empresário.

"O ato da investigação é absolutamente pertinente. Se há dúvida, tem que ser investigado mesmo. Agora, na relação, em síntese nós fomos estender a mão a alguém que pediu, poderíamos não ter feito isso e não haveria nenhum tipo de problema. E o problema existe exatamente porque nós cometemos essa grave infração de acudir quem nos solicitava um socorro naquele momento."

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