Divulgação/ Liverpool.com
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Piadas de Klopp, Alisson churrasqueiro e Museu dos Beatles: a vida de Fabinho em Liverpool

Em entrevista ao Estado, volante contou um pouco os bastidores de sua vida na Inglaterra e expectativa para disputar as eliminatórias pela seleção

Entrevista com

Fabinho, volante do Liverpool

João Prata, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2020 | 08h00

O volante Fabinho, de 26 anos, não tem do que reclamar na vida profissional. Está no meio de segunda temporada pelo Liverpool, o atual campeão europeu e mundial, e tem sido presença constante na lista de Tite na seleção brasileira

Em entrevista ao Estado, ele destacou a intensidade como principal virtude do time inglês, elogiou o jeito informal de Jürgen Klopp e admitiu que nos primeiros meses tinha vergonha de estar perto do treinador por não entender suas brincadeiras. Mais adaptado à nova vida (e ao idioma), já visitou o Museu dos Beatles, mas admite preferir o hip-hop ao rock da banda símbolo de Liverpool. A vida pessoal também está em ordem. Fabinho vive com a esposa nos arredores da cidade e no momento a única pressão vem dos companheiros de time Alisson e Firmino para que ele tenha o primeiro filho. "Cada um já tem dois, né? Vamos ver se entre este e o próximo ano vem aí o Fabinho Junior", brincou.

Como é fazer parte de um time que está invicto há 43 jogos no Campeonato Inglês (contando a reta final da edição anterior)?

Estar em um time como o Liverpool faz com que você seja exigido em todas as partidas. Fisicamente tem de estar muito bem preparado o tempo todo. É algo que estamos acostumados e gostamos dessa pressão, dessa exigência.

 

Quais as principais qualidades desse time?

A intensidade, sem dúvida, é uma delas. A equipe também tem ganhado experiência. Em jogos decisivos, é uma equipe que mesmo com dificuldade tem sabido jogar com tranquilidade e isso também tem sido ponto forte. Tivemos lesões nesta temporada, mas só mostrou que o elenco é forte.

Demorou para se adaptar?

Foi um pouco difícil, porque vivia situação distinta do Mônaco, onde era titular absoluto. No Liverpool tive de ter um pouco de paciência, esperar o meu momento. Dentro de campo, o Alberto Moreno, espanhol que já não está mais no clube, me ajudou muito. O Firmino... o Alisson ter chegado no mesmo ano já ajudou por ser brasileiro. Tive muita ajuda no começo.

Já aprendeu inglês?

Hoje estou bem melhor, mas ainda tenho que melhorar. Já consigo ter uma conversa com o treinador. Em princípio era impossível. Fui recentemente com os amigos no Museu dos Beatles. É uma cidade que não é tão badalada quanto Londres, mas gostamos bastante.

Gosta de Beatles?

Não era tão conhecedor dos Beatles. Conheci um pouco porque aqui falar de Liverpool é falar de Beatles. O museu é uma opção legal de lazer. Escuto mais hip hop, mas pela história que a banda tem a gente dá um desconto.

O que faz no tempo livre?

Gosto de jogar videogame. Nós, brasileiros, nos reunimos bastante. Moro muito perto do Firmino, vou bastante na casa dele. O Alisson é um excelente churrasqueiro. Ele mora mais longe, e está devendo um churrasco para a gente.

Como é o Klopp?

Gosto muito do jeito dele trabalhar, principalmente pela intensidade. Nossos treinos são sempre em ritmo forte. O resultado do trabalho tem sido colhido agora. Na parte pessoal ele procura sempre conversar com os jogadores. 

Nas entrevistas, o Klopp costuma ser bem-humorado, faz piadas... Ele é assim também no dia a dia?

É igual. Dá aquela gargalhada dele. Com os jogadores também está sempre brincando. Agora eu entendo um pouco mais, porque no começo ele aparecia do meu lado e eu fugia, porque não ia entender a brincadeira. É um cara bem comunicativo, gosta de conversar, de estar com os jogadores. 

Você ficou fora do Mundial por causa de uma lesão e viu a final de camarote. O Flamengo jogou mesmo de igual para igual?

(Risos) Acredito que sim. Flamengo jogou de igual para igual, mas o Liverpool teve as melhores oportunidades de gol. O Flamengo criou chances, mas as mais claras foram do Liverpool. 

Em quem você se inspirou?

Quando jogava pela direita no Cafu e no Maicon. No meio-campo, o Busquets e o Fernandinho, sempre gostei.

Você foi negociado para o futebol português muito cedo, antes mesmo de estrear no profissional. Se arrepende?

Foi importante ter ido para o Rio Ave porque a língua ajuda muito. Tinha alguns brasileiros na época lá. Foi bom dar o primeiro passo em Portugal.

O Mônaco te deu projeção mundial. Como foram os cinco anos que esteve por lá?

Cheguei lá em 2013. A equipe tinha acabado de subir da segunda divisão e tinha projeto para jogar a Champions e isso foi cumprido. Só teve um ano que não disputei a Champions lá. Fui crescendo, ganhando importância na equipe. Mudei de posição, fui para o meio-campo, fui campeão francês, fazia cinco anos que a equipe não ganhava. O Mônaco tem um papel muito importante na minha carreira. Foi lá que fui pela primeira vez convocado para a seleção brasileiro. Sou muito grato ao Mônaco.

Alguma história te marcou nesse período?

Quando não me liberaram para a Olimpíada. Era o meu grande objetivo. Durante a preparação estive presente em quase todos os jogos, tinha grande expectativa de ir, mas naquele momento o Mônaco disputava vaga para a Champions... e acabaram não me liberando. Acabou que foi minha melhor temporada no Mônaco. Chegamos na semi da Champions, campeões da Liga Francesa. Infelizmente não conquistei a medalha olímpica, mas o ano foi muito bom.

Qual foi sua reação quando não te liberaram?

Cheguei a ter uma discussão com o presidente. Liguei dizendo que não iria me apresentar para treinar, que iria ficar no Brasil. Ele chegou a falar que me colocaria na Justiça. Mas depois de algum tempo e algumas conversas com familiares decidi voltar para que não tivessem problemas maiores.

Como é sua relação com Tite?

Fora de campo é normal, nada demais. Ele me mandou mensagem quando me machuquei. Disse torcer para minha recuperação ser rápida, mas nada além disso.

Ansioso para o início das eliminatórias?

Já estive presente em alguns jogos, mas ainda não atuei. Vai ser algo novo. É uma competição complicada. É muito difícil jogar na Colômbia, enfrentar a pressão no Uruguai... Tem de estar preparado para tudo isso. Nas eliminatórias não basta ter só talento. Tem que ter experiência para não se deixar levar pela emoção. Tenho muita vontade de jogar e espero que a seleção siga no caminho para a Copa.

Você está no melhor time do mundo, tem sido chamado para a seleção... O que falta profissionalmente?

A minha carreira está em um momento especial, o clube que estou está vivendo momento especial... Quero continuar crescendo. Quero ter continuidade na seleção. A curto prazo quero vencer a Champions e a longo ser campeão da Copa do Mundo.

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