Picerni: outra chance de ser campeão

Ainda no vestiário do São Caetano no legendário Estádio Azteca, na Cidade do México, o técnico Jair Picerni já dizia que "a hora de ser campeão está chegando". Depois de ser duas vezes vice-campeão brasileiro e de carregar a pecha de "azarado", este paulistano que viveu a infância na simplicidade da Barra Funda, bairro de São Paulo, acha que tem tudo para levar o Azulão à sua maior conquista na história: o título da Copa Libertadores da América. Como jogador foi vice-campeão com a Ponte Preta na histórica decisão de 1977 diante do Corinthians. Curiosamente, começou a carreira de técnico profissional no próprio clube de Campinas, em 1981, conquistando também o vice-campeonato(o São Paulo foi o campeão). Ainda como técnico também foi outras duas vezes vice paulista com o Corinthians, em 1984, e com a Portuguesa de Desportos, em 1985. Foi segundo colocado também na Olimpíada de Los Angeles, em 1984, pela seleção olímpica, quando dirigiu um misto do time do Internacional-RS com alguns poucos reforços. Mas poucos lembram que ele também já foi campeão nacional, em 1987, pelo Sport Recife, na controvertida Copa União. Desde 2000 à frente do São Caetano, Picerni já comandou o time 142 vezes. Conseguiu 80 vitórias, 29 empates e sofreu 33 derrotas. Aos 56 anos, maduro e consciente, ele aproveitou a folga de quinta-feira para descansar ao lado da família, em Vinhedo, distante 70 quilômetros da capital. Um descanso para guardar energias para quem está obcecado para ser campeão da principal competição sul-americana. Agência Estado - Ser campeão da Libertadores é uma verdadeira obsessão? Picerni - Não. Este é nosso objetivo desde o ano passado, quando percebemos que era um torneio possível de ser vencido, desde que houvesse uma preparação correta. AE - A fama de nadar e morrer na praia acompanha o São Caetano? Picerni - Acho que não, porque fomos campeões do Paulista da Série A2 (Segunda Divisão) em 2000. Além disso, no Brasileiro perdemos para grandes clubes: o Vasco da Gama, em 2000, e o Atlético-PR, em 2001. AE - Você se considera um técnico azarado? Picerni - Sou um técnico vencedor (afirma categoricamente). Estou, com meu time, chegando na frente em todas as competições que participo. Não tem nada de ser azarado. Ser vice-campeão é ser azarado? E quantos times ficaram para trás? AE - O Olímpia é o melhor adversário na final? Picerni - Quem pretende ser campeão não pode ter medo de ninguém. Achava que o Grêmio a gente já conhecia, mas já estou cheio de fitas de jogos do Olímpia. A gente encontra um jeito de vencer eles também. AE - Qual o melhor estádio para a decisão: Pacaembu, Morumbi ou Anacleto Campanella? Picerni - A diretoria e o pessoal da cidade acham importante jogar em São Caetano. A diretoria, a prefeitura e a torcida, realmente, merecem. Todos sempre nos ajudaram. Mas estamos preparados para decidir em qualquer lugar. Isso, pouco importa. AE - Porque você demonstra tanta confiança em ser campeão? Picerni - Porque trabalhamos para isso. Tanto a direção do clube, como a comissão técnica e, principalmente, os jogadores. O grupo está muito unido e determinado. Todos estão conscientes do que podem e devem fazer em campo. Aprendemos com os erros do passado. Acho que o título está mais do que maduro.

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