Picerni pede humildade ao Palmeiras

A tradição faz do Palmeiras favorito para a partida deste sábado contra o Paulista, às 16 horas, no Parque Antártica, pela semifinal do Campeonato Paulista. Mas deixar de lado a força da camisa e da torcida é uma ordem expressa do técnico Jair Picerni. O treinador do Palmeiras não esconde a preocupação pela ausência do atacante Vágner Love, que sofreu uma lesão muscular na coxa durante a semana e será substituído por Rafael Marques, centroavante de 1m91 que Picerni chama de ?Lingüiça?. Motivo suficiente para colocar o time de Jundiaí, que ao longo da história jamais decidiu o Paulistão, em condições de igualdade."Hoje o Paulista é grande como o Palmeiras. Esse papo de que camisa ganha jogo não existe mais. Temos aqui um goleiro diferenciado (Marcos) mas o resto do grupo ainda está procurando espaço. Precisamos de raça", disse Picerni.Para passar ao grupo a idéia de que no futebol ninguém ganha na véspera, Picerni recorreu a uma das maiores decepções que teve na carreira. "Em 2002, dirigindo o São Caetano, vencemos o Olímpia na partida de ida da final da Libertadores dentro de Assunção. E, ao voltar ao Brasil, minha família se antecipou e encheu a frente da nossa casa de faixas alusivas ao título, que acabou não vindo. Essa foi uma das maiores lições que aprendi. Hoje, mantenho sempre o pé no chão. Não existe ninguém melhor do que ninguém. Teremos de mostrar que somos melhores que o adversário dentro de campo", lembrou o treinador.Nem o retrospecto favorável nos últimos confrontos diante do time de Jundiaí (na Série B de 2003, o Palmeiras venceu por 2 a 1, e no Paulistão deste ano marcou 5 a 2) serve de alento ao treinador. "Esses jogos fazem parte do passado. Neste campeonato, por exemplo, o Paulista fez mais pontos que a gente. O importante é meu grupo não alterar a maneira de jogar. O Vágner Love fará muita falta, é um artilheiro que logo deverá cavar seu espaço na seleção, mas tenho de botar fé no Rafael Marques, o ?Lingüiça?. Não trabalho olhando para o lado negativo da coisa."Por sinal, dar força ao Lingüiça, que só tem 20 anos, foi tarefa para todo o elenco. "Vamos apoiar o Rafa em tudo o que for possível", admitiu Pedrinho. "Se estará em campo, é porque tem condições."O meia, assim como Picerni, também derruba o mito de que o Palmeiras vai chegar à decisão apenas com o nome. "Essa é uma grande jogada de marketing. Se valesse, jamais teríamos perdido para o São Gabriel, por exemplo. Respeito o Paulista e acredito que o elevado número de gols marcados pelos dois clubes no Paulistão (55 no total - 28 pelo time jundiaiense e 27 pelo Palmeiras) possa ser um indício de que teremos uma partida aberta.?Rafael Marques não se cansa de agradecer a união dos jogadores em torno dele. "Tenho certeza: não estarei sozinho. Sei que a pressão por substituir o Love será grande, mas terei de mostrar calma e frieza", afirmou o atacante.

Agencia Estado,

26 de março de 2004 | 17h52

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