Picerni quer "sombra" para "intocáveis"

Demorou mas começaram nesta quinta-feira as cobranças no Palmeiras pela derrota diante do Paulista na semifinal do Campeonato Paulista. Jair Picerni apenas esperou o time eliminar o São Gabriel pela Copa do Brasil. O treinador teve de se render às evidências. As baladas dos seus jogadores na semana decisiva acabaram por prejudicar o time que poderia estar decidindo o título paulista. A conseqüência será uma pequena reformulação no elenco para o Brasileiro. O clube já procura um lateral-esquerdo e negocia com Jardel. Aquele que deveria ser o seu escudeiro foi o primeiro a dar explicações. Adãozinho falou sobre o porquê de ter levado Vágner Love, Lúcio e Diego Souza para Bragança Paulista na noite de quinta-feira, antevéspera da semifinal contra o Paulista. "Eles são adultos e foram porque quiseram. Fui homenageado e os convidei. Eu trabalho há quatro anos com o Jair e não iria traí-lo agora, justo na decisão de um título tão importante. Eu faço questão que a imprensa saiba da nossa conversa para que eu não seja taxado como baladeiro. Os garotos só tomaram três latas de cerveja e beberam um copo de vinho. Se estivessem bêbados não entrariam em casa", jurou Adãozinho. "Se eu soubesse que iria dar essa confusão, ficaria em casa. Nos outros clubes que joguei as coisas não tinham uma repercussão tão grande. Não quero ficar marcado como baladeiro", diz, arrependido, Lúcio. O lateral acredita que está sendo perseguido desde que colocou piercing no dente, alisou os cabelos e passou a usar tiara. "Parece que o jogador de futebol não pode ter vaidade. Já dizem que ficou mascarado e que só pensa nas noitadas. Se for para parar com a perseguição da imprensa, fico logo careca e banguela. Assim, ninguém me perturba", diz o lateral, que acabou de ser multado em 10% por haver chegado 20 minutos atrasados nos treinamentos. Jair já começou a punir todos os jogadores que traíram a sua confiança. O treinador teve de se explicar ao presidente Mustafá Contursi porquê não deixou o time em regime de concentração uma semana antes da partida contra o Paulista. O treinador confiou nos atletas. A ponto de discutir e quase agredir um repórter que o questionava sobre as saídas noturnas dos jogadores. Só depois que teve a certeza de que os atletas o ?traíram?, Picerni mudou sua postura. Se justificou com o repórter e passou a ?cortar o mal pela raiz?. Diego Souza passou de titular absoluto a perder o direito até de sentar no banco de reservas. "Ele só voltará ao time quando achar que está com a cabeça boa", diz Picerni. O jogador ficou tão revoltado que nesta quinta-feira se negou a dar entrevistas. Vágner Love mantém a mesma postura desde que ficou provado as suas saídas noturnas na semana decisiva para o Palmeiras. "Ninguém paga as minhas contas. Eu faço o que quiser", disse após o jogo contra o Paulista. Mas o Palmeiras quer acabar com a dependência de Vágner Love. O diretor Mário Gianinni tem conversado com o procurador de Jardel. Jair Picerni quer o jogador de qualquer maneira - até para acabar com a tranqüilidade de Vágner que sabe não ter um reserva a altura e tem todo o direito de se considerar ?intocável?. Para compor o elenco, Picerni quer também uma sombra para Lúcio. O time não possui um lateral-esquerdo reserva com condições de substituir o canhoto dono da tiara. Adãozinho corre o sério risco de ser dispensado para o Brasileiro. "Eu posso até sair, só que não quero ficar marcado como baladeiro. Não bebo, não fumo, não fico correndo atrás de mulherada", desabafa o meia. Marcos acredita que tudo está acontecendo porque os atletas pagaram o preço de não conhecer a história do Palmeiras. "Eu cansei de avisar que as cobranças seriam fortes se a gente perdesse para o Paulista. O que está acontecendo agora é o reflexo de quando um clube grande vai enfrentar uma equipe sem o mesmo peso. Já vivi a desclassificação contra o ASA de Arapiraca, sei o inferno que foi. Era lógico que a diretoria, a imprensa e todos iriam cobrar." O clima no clube está pesado mesmo. Mustafá resolveu interferir. Mandou embora o médico Maurício Bezerra e os coordenadores das categorias de base, Ernesto Colombo e Niltinho.

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