Picerni vai de Corrêa no clássico

O técnico Jair Picerni bem que tentou despistar a imprensa. Mas acabou admitindo que Corrêa deverá ser um dos volantes do Palmeiras para o jogo contra o Corinthians, quarta-feira no Morumbi pela semifinal do Campeonato Paulista. Casado há dois meses, o jogador de 22 anos vai ocupar a vaga de Claudecir, expulso quarta-feira na vitória por 2 a 0 sobre o São Caetano. Com um elenco restrito na mão, Picerni teme que a escalação de um atleta sem experiência, que jamais participou de um clássico dessa importância na carreira, possa comprometer o seu esquema. Mas busca consolo apelando para o discurso que mais se tem ouvido no Parque Antártica nos últimos dias. "O Corrêa está perfeitamente integrado ao espírto do clube", afirma. Aos que desconfiam de sua capacidade, Corrêa manda um aviso. "Acho que o projeto realizado pelo Santos, que abriu mão dos medalhões no ano passado e ganhou o título brasileiro, foi a maior demonstração de que o investimento nas categorias de base pode dar resultado. Se o treinador precisar de mim, com certeza estarei pronto. Assim como já estive desde o início deste Campeonato Paulista". Apesar da desenvoltura para falar, o volante descartou o rótulo de coringa que alguns repórteres tentaram lhe atribuir. "Não sou nem a primeira opção do banco de reservas. Apenas faço parte do grupo e realizo o meu trabalho pensando em jogar. A decisão de ser escalado ou não independe de mim". Revelado pelo Ituano, Corrêa possui uma característica que poucos conhecem: tem facilidade para marcar gols de falta. Apenas no São Bento de Sorocaba, em 2001, foram 10. A eficiência nas jogadas de bola parada chamou a atenção dos dirigentes do Palmeiras, que compraram metade de seu passe. Agora, aguarda ansioso o momento de disputar o jogo mais importante de sua carreira. "Corinthians e Palmeiras fazem o principal clássico do futebol paulista. E a próxima partida, em especial, terá uma característica diferente devido ao rebaixamento do Palmeiras para segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2002. Mas não acredito que exista favorito. Tradição conta muito em momentos como este". O trabalho do volante para ganhar a vaga começou fora de campo. Além de falar de suas características, rasgou elogios ao trabalho de Jair Picerni. "É um treinador amigo, que sabe falar e entender a linguagem dos jogadores. Consegue motivar o grupo porque sempre monta seus esquemas táticos pensando em vencer, em atacar, e nunca em se defender. Além disso, consegue manter o grupo interessado o tempo todo porque já disse mais de uma vez que todos têm chance de atuar". Até hoje, Corrêa jamais passou por grandes decisões na vida profissional. Talvez a mais importante delas tenha acontecido pelo São Bento em 2001, no Campeonato Paulista da Série A-3. No clássico de Sorocaba contra o Atlético Sorocaba, marcou o gol da vitória do São Bento por 1 a 0. "Se jogar na quarta-feira, a imprensa vai me observar com olhos mais críticos que de costume. Mas não quero ser avaliado apenas por uma partida". Na semana que antecede o jogo mais antigo da cidade, o volante revelou que sua família praticamente inteira torce para o Corinthians. "Tenho um irmão fanático que mora em Limeira. Mas, agora, acredito que ele vai mudar de lado. Mesmo jogando no Palmeiras, sempre tive o apoio de todos lá em casa". O próximo passo do jogador, depois de conseguir se fixar na equipe, é negociar a melhora de seu salário. O contrato até 2006 foi assinado com bases financeiras semelhantes às dos principais jogadores do Palmeiras-B. "Deixo essa questão para o meu empresário resolver. Desde que fui efetivado no time de cima, minha situação melhorou um pouco. Mas as coisas vão acontecer aos poucos. Não quero me precipitar". Os jogadores do Palmeiras foram dispensados e voltarão a treinar apenas segunda-feira à tarde na Academia de Futebol.

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