EC Bahia
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Pioneiro, Bahia apoia criação da torcida LGBT Tricolor

Clube criou Núcleo de Ações Afirmativas para discutir temas de pouca representatividade política

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2019 | 04h30

A atuação dos clubes para combater a homofobia no futebol ainda é tímida e irregular. A maioria das agremiações participa das campanhas institucionais, mas realiza poucas ações práticas. Inspirados pelo dia 17 de maio, dia de luta contra o preconceito à população LGBT, diversos clubes brasileiros postaram em suas redes sociais manifestações a favor da inclusão. Da série A, foram seis: CorinthiansVascoFluminenseSantosBahia e Grêmio. Um dos poucos clubes que realiza campanhas e ações regulares, independentemente das datas oficiais, é o Bahia. O clube criou, por exemplo, um Núcleo de Ações Afirmativas.

O núcleo atua a partir de uma curadoria que escolhe temas relacionados a grupos sociais expressivos, mas politicamente pouco representados. É o caso da população LGBT. Com isso, o clube realiza ações para combater o machismo, misoginia, racismo, homofobia e a transfobia. Militantes de cada grupo social e estudiosos colaboram com o clube.

“Temos uma frase do nosso hino que diz 'somos do povo um clamor'. Quando a gente se elege de forma democrática, a gente precisa ouvir o clamor desse povo. O núcleo é um ato de coerência institucional. Uma democracia sem inclusão é uma democracia pela metade”, explica Tiago Cesar, coordenador do Núcleo de Ações Afirmativas do Bahia. “Por outro lado, o departamento de marketing dos clubes pede que os torcedores amem seu clube e comprem ingressos. É uma relação de amor unilateral. Essa relação precisa ser bilateral. O clube precisa realizar atos de reciprocidade”, completa.

Em termos práticos, o Bahia adota a política de nome social para pessoas trans na carteira de sócios, promove o uso de banheiros por autodeterminação de gênero e a contrata funcionários transsexuais. As últimas campanhas de combate à homofobia (Não há impedimento e Levante a bandeira) levaram à criação de uma torcida, a LGBT Tricolor, que será lançada oficialmente nas próximas semanas. A torcida está formada de maneira autônoma, mas com apoio integral do clube.

“Sempre fui torcedor do Bahia, mas depois que assumi que era gay parei de ir ao estádio. Aquele ambiente era perigoso para mim. As campanhas do clube abriram a possibilidade de participação da torcida. O Bahia nos chamou para dentro e já é um parceiro da torcida LGBT”, diz Onã Rudá Silva Cavalcanti, diretor da União Nacional LGBT Bahia e um dos criadores da torcida. “Estamos fazendo uma revolução cultural. Estamos mexendo em um nicho, um reduto cristalizado e engessado. A ideia é levantar reflexões. Sofri algumas ameaças, mas queremos construir um novo ambiente", completa o torcedor. 

Dos quatro clubes de São Paulo consultados pelo Estado sobre o tema, apenas o Palmeiras se manifestou sobre o combate à homofobia. Santos, Corinthians e São Paulo não se manifestaram. “A Sociedade Esportiva Palmeiras é contra qualquer tipo de preconceito. Todos que amam o Verdão são bem-vindos e devem ser tratados com respeito. Já fomos vítimas de xenofobia em determinado momento de nossa história, o que nos faz particularmente sensíveis ao problema. Entendemos que o preconceito deve ser atacado com informação e atitudes assertivas, como por exemplo, a criminalização de ações discriminatórias. A sociedade deve ser educada para conviver com a diversidade. Procuramos cumprir com o nosso papel dentro desse contexto”, disse nota do clube.

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