Armando Babani/EFE
Armando Babani/EFE

Pirulões sérvios serão desafio para a seleção brasileira

Brasil enfrenta nesta quarta o time de maior média de altura da Copa do Mundo e deve redobrar atenção com jogadas aéreas

Ciro Campos, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 05h00

O time de maior média de altura da Copa, a Sérvia, contra o décimo time mais baixo do Mundial, o Brasil. Esta será a tônica do jogo desta quarta-feira, em Moscou, em que o Brasil decidirá a sua permanência no torneio. Será o confronto mais desigual até o momento em termos físicos nesta Copa.

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Os sérvios têm média de altura de 1,86 metro, a maior do torneio ao lado da Dinamarca. Já a equipe brasileira tem média de altura de 1,80 metro. O temor é justamente as bolas aéreas, fundamento em que, sob o comando de Tite, a defesa mostrou mais vulnerabilidade. 

Dos seis gols sofridos pela seleção na gestão do treinador, quatro foram em jogadas aéreas, como na estreia na Copa. Zuber deslocou Miranda e desviou de cabeça na pequena área e garantiu o empate por 1 a 1 da Suíça. A repetição desses problemas, somada à estatura dos sérvios, levou o elenco a trabalhar bastante as bolas paradas defensivas no treino fechado à imprensa desta segunda-feira, em Sochi.

A discrepância entre as duas seleções é maior quando se confrontam as prováveis escalações iniciais. Na segunda rodada do Grupo E, realizada na sexta-feira, a equipe europeia escalou um time com média de altura 1,88 metro, dez centímetros acima dos jogadores brasileiros escalados contra a Costa Rica. 

 

O ataque dos comandados de Tite não tinha, por exemplo, nenhum jogadore com mais de 1,75 metro, bem abaixo dos 1,95 metro do zagueiro Milenkovic, um dos responsáveis por anular as investidas brasileiras. O setor ofensivo sérvio tem um meia de 1,92 metro, Milinkovic-Savic, e um atacante de referência também mais alto, Mitrovic, de 1,89 metro. O jogador mais alto de linha do Brasil é o zagueiro Miranda, que tem 1,86 metro, igual à média de altura de toda a seleção sérvia.

O mais baixo dos brasileiros, o lateral Fagner, afirmou que a estatura dos adversários é um problema a se preocupar. “Qualquer coisa eu subo nas costas de alguém para cabecear. Brincadeira (risos). Mas temos de tentar neutralizar a altura da Sérvia. O tamanho não atrapalha muito, mas tem de usar a inteligência para sair de situações complicadas durante o jogo”, disse o jogador de 1,68 metro. 

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Qualquer coisa eu subo nas costas de alguém para cabecear. Brincadeira (risos).
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Fagner, lateral de 1,68m, sobre os sérvios

O estafe do técnico Tite analisou as partidas da Sérvia e definiu a estatura e as bolas altas como os principais perigos. Contra a Suíça, o gol de Mitrovic saiu exatamente em um cruzamento, concluído de cabeça. O jogador do Newcastle, da Inglaterra, atua como referência e tem como características o estilo “trombador”, de buscar contato físico com os defensores e abrir espaço aos companheiros.

A diferença em termos de estatura e força também preocupa a seleção por possíveis jogadas duras. Se o Brasil pode empatar para se classificar e indica uma formação mais cautelosa, a Sérvia depende da vitória para avançar e deve se entregar mais ao ataque e às jogadas aéreas para tentar furar a defesa.

“A seleção brasileira sempre será muito visada pelos adversários nas faltas, nas pancadas. Temos de nos preparar para isso”, comentou o meia Philippe Coutinho, de 1,72 metro, que deve ter como um dos marcadores o grandalhão Matic, de 1,94 metro.

Nos treinos da seleção brasileira durante as Eliminatórias, o trabalho da bola parada defensiva chegou a contar com uma improvisação em algumas ocasiões. Filho de Tite, o auxiliar técnico Matheus Bachi, em certas atividades, se posicionou como defensor na primeira trave, enquanto o pai orientava o posicionamento da defesa. Matheus tem mais de 1,90 metro.

Os jogadores defenderam nas últimas entrevistas a necessidade de o Brasil encarar os altos jogadores sérvios sem alterar o estilo de jogo. Portanto, a seleção tentará evitar o confronto físico com toque de bola rápido, dribles e movimentação, marcas exibidas desde o começo do trabalho de Tite.

 

 

 

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