Placar do ano: Argentina 6 x 0 Brasil

Há algo pior do que perder para os argentinos? Se esse aspecto for levado em conta, 2003 foi péssimo para o futebol brasileiro. O futebol cinco vezes campeão do mundo encerra 2003 como principal freguês dos rivais da América do Sul. Perdeu em tudo: três vezes na Libertadores, uma vez na Sul-Americana e ainda nos duelos de seleções (Sul-Americano Sub-20 e Pan-Americano). Mas por que isso ocorreu? Será que a Argentina tem jogadores melhores, mais técnicos, tem mais raça?As opiniões variam, mas ninguém ousa dizer que o futebol argentino é melhor que o brasileiro. "Acho coincidência. Essa história de catimba, maladrangem não é específica de um ou outro país", diz Diego Lugano, zagueiro urugaio que atua no São Paulo. "Sem dúvida que o futebol argentino é bem dotado tecnicamente, mas não podemos criar um mito porque eles ganharam dos brasileiros em 2003. Se essa situação persistir nos próximos anos, aí muda, mas em 2004 os papéis podem se inverter?, prossegue. ?Eles não têm mais raça que os brasileiros.? Luís Fabiano, expulso na confusão de quarta-feira, entre São Paulo e River Plate, concorda com Lugano. Acha, no entanto, que, em determinados momentos os brasileiros acabam se deixando enervar pelas provocações. Cita como exemplo o Corinthians, eliminado pelo mesmo River nas oitavas-de-final da Libertadores. "Eles foram malandros contra o Corinthians e conseguiram causar irritação."O atacante aposta, no entanto, que a história será bem diferente em 2004. "Vamos dar a volta por cima nesses argentinos, porque eles não são melhores que nós." Ninguém discute a parte técnica, mas o aspecto tático pode ter feito grande diferença, apostam muitos esportistas. De acordo com o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo, os argentinos são mais obedientes taticamente e, por isso, levam vantagem quando enfrentam time do mesmo nível. Antonio Roque Citadini, vice-presidente de Futebol do Corinthians, acha que a Argentina conta com melhores técnicos.Emerson Leão, do Santos, perdeu aquele que poderia ter sido seu primeiro título de Libertadores. Seu time foi derrotado pelo Boca Juniors na decisão. O treinador nunca escondeu que não suporta os argentinos e faz questão de dizer que o Brasil não deve nada a eles. "Não comento a Argentina, para mim está fora de cogitação", afirma. "Não falta nada porque eles nunca atrapalharam o Brasil, que é pentacampeão", continuou, secamente, atendendo à insitência dos repórteres. A última resposta foi irônica. Perguntaram o que achava da idéia de trazer técnicos argentinos para comandar times brasileiros. "Como pegadinha, acho legal."Chicão, de 53 anos, enfrentou os rivais sul-americanos diversas vezes, tanto pelo São Paulo quanto pela seleção brasileira. Foi um dos protagonistas da chamada "batalha de Rosário", na Copa de 78 - o clássico sul-americano terminou 0 a 0, e não nega sua admiração pela disciplina tática dos rivais. "Os argentinos têm uma determinação impressionante, jogam os 90 minutos da mesma maneira", observa Chicão. "A disciplina tática leva os times argentinos às conquistas, porque jogam nos contra-ataques, com uma marcação muito forte, e num vacilo do adversário marcam o gol."

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