Edgard Garrido/Reuters
Edgard Garrido/Reuters

Planalto vê CBF enfraquecida e aposta em aprovação de MP

Para governo, medida abre caminho para gestão mais transparente

Rafael Moraes Moura/Brasília , O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2015 | 11h14

O Palácio do Planalto vê a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfraquecida depois de o ex-presidente da entidade José Maria Marin ser detido em Zurique sob a acusação de ter recebido propinas milionárias em esquemas de corrupção no futebol. Dentro do Planalto, a avaliação é de que o atual momento político favorece, e muito, a aprovação da medida provisória que institui o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro.

O primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff é considerado por auxiliares um divisor de águas da relação do primeiro escalão do governo com a cúpula CBF. Na gestão de Ricardo Teixeira, havia uma interlocução direta da entidade com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula usava o futebol como ferramenta da diplomacia brasileira, a ponto de distribuir camisas da seleção brasileira mundo afora.

Houve uma mudança brutal nesse relacionamento durante o governo Dilma Rousseff, que apostou numa convivência mais pragmática e menos pirotécnica.

Depois do desastroso desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, Dilma levantou a bandeira da reforma do futebol e aprofundou a relação com o Bom Senso Futebol Clube, entidade de jogadores que reivindica a adoção de um calendário de jogos mais equilibrado e a adoção do fair play financeiro (punição para os clubes devedores).

Em março, Dilma encaminhou uma medida provisória que permite o refinanciamento da dívida dos clubes com a União, mas, em contrapartida, exige que os clubes cumpram regras de governança e de responsabilidade fiscal e trabalhista. Os clubes terão, por exemplo, de fixar um período do mandato de presidente e dirigentes, permitindo uma única recondução. 

Para o Planalto, a medida provisória abre caminho para uma gestão mais transparente e democrática para os clubes e pode marcar uma nova era para o futebol brasileiro, longe das páginas policiais. É com esse discurso que o governo pretende oferecer um antídoto aos escândalos de corrupção nos campos de futebol.

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