Planejamento, o segredo do quase campeão Cruzeiro

Eficiência financeira, opção por treinador e contratações estudadas levam time ao sucesso

MARCIO DOLZAN E VÍTOR MARQUES, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2013 | 08h15

SÃO PAULO - Para tentar voltar a ser campeão brasileiro depois de dez anos, o Cruzeiro investiu R$ 30 milhões e montou um novo time: só nesta temporada comprou 19 jogadores. Após o título mundial, em dezembro, o Corinthians se reforçou e gastou nada menos que R$ 60 milhões com três jogadores: Pato, Renato Augusto e Gil.

 

A renovação do Cruzeiro foi mais eficaz que as contratações pontuais do Corinthians. O time mineiro é o líder disparado do Brasileiro e já está com uma mão na taça, a 16 rodadas do fim. Se vencer o jogo deste domingo, às 16 horas, no Pacaembu, vai afundar definitivamente a equipe paulista e o técnico Tite, já com o cargo bastante ameaçado.

 

A montagem da equipe cruzeirense que já abriu sete pontos do Botafogo, segundo colocado, e 11 do Atlético-PR, o 4.º, começou no início do ano, quando a diretoria definiu o perfil do treinador e do elenco que seria montado. "Contratamos o Marcelo Oliveira pelo bom trabalho que ele fez no Coritiba", disse ao Estado o diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos. "Queríamos um time jovem, rápido e de força no jogo aéreo."

 

A venda de Montillo ao Santos - 60% por R$ 16 milhões -, o aumento da arrecadação com a volta dos jogos no Mineirão e a ampliação do programa de sócio-torcedor incrementaram as receitas do clube, segundo Mattos. "O Cruzeiro vinha de dois, três anos, de dificuldades. O futebol de hoje é muito competitivo. Sem poder financeiro é difícil montar um time."

 

As peças, então, foram se encaixando. O clube montou elenco variado. Um grupo de jogadores estava "livre no mercado", casos de Dagoberto, Borges, Nilton, Souza e Luan.

 

O maior investimento, feito com ajuda de grupo DIS, foi de R$ 14 milhões para tirar Dedé do Vasco, ganhando uma disputa com o Corinthians. Por menos de R$ 10 milhões, comprou mais dois jogadores: Éverton Ribeiro, cria do Corinthians e que jogou com Marcelo Oliveira no Coritiba, e Ricardo Goulart.

 

Willian, campeão Brasileiro pelo Corinthians, em 2011, veio como parte da negociação envolvendo Diego Souza com o Metalist, da Ucrânia. E Júlio Baptista, recepcionado com status de estrela, veio sem custo após rescisão com o Málaga. "Precisávamos de um jogador que pudesse repor a saída do Diego Souza. E esse jogador foi o Júlio Baptista", disse Mattos. "Mas nosso elenco ainda está em formação."

 

Ainda em formação ou não, o time encaixou. São oito vitórias consecutivas, a última delas sobre o Botafogo, por 3 a 0, no Mineirão. O jogo, na última quarta-feira, foi considerado uma final antecipada do Brasileirão.

 

Willian, assim como Júlio Baptista, foi outro que se adaptou ao time montado por Marcelo Oliveira. "É uma formação muito parecida com a que eu joguei no Corinthians, com o Tite (2011). A diferença é que eu tenho um pouco mais de liberdade de movimentação", afirmou o atacante, que chegou ao clube há cerca de dois meses e assinou contrato de empréstimo por um ano - o Cruzeiro tem opção de compra.

 

O atacante adota o discurso padrão no time - da diretoria ao técnico: o campeonato ainda não terminou. "Nossa vantagem é boa para um campeonato tão equilibrado como o Brasileiro, mas temos de manter os pés no chão. Esse jogo contra o Corinthians será muito difícil."

 

Se o Cruzeiro conquistar o título, ele quebrará uma marca. Nós últimos dez anos somente cariocas e paulistas foram campeões brasileiros. O último intruso foi justamente o Cruzeiro, em 2003, com Luxemburgo no comando. "Em São Paulo e no Rio são oito grandes clubes, eles têm mais possibilidades de conquistas", afirma Mattos.

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