Platini aposta no Brasil para 2006

Michel Platini é fã de carteirinha do futebol brasileiro. O mais famoso craque da França completou 50 anos no dia 24 de junho, esteve em Frankfurt para ver a final da Copa das Confederações e, com muito bom humor, revelou que aposta na equipe de Carlos Alberto Parreira para a conquista do Mundial de 2006, principalmente depois da surra que aplicou na Argentina."Se fossem jornalistas poloneses que me perguntassem quem era a favorita para a Copa, eu diria Polônia", brincou Platini, em entrevista exclusiva à Agência Estado. "Como são do Brasil, digo que é a seleção de vocês. De qualquer forma, tenho muito mais possibilidade de acertar com esta segunda opção." O ex-camisa 10 da Juventus nos anos 80 - cabelos mais ralos, barriga crescidinha - mostrou-se encantado com a capacidade de renovação do Brasil, lamentou que o mesmo não aconteça com seu país, mas alertou para as surpresas que o futebol prega. "O momento e alguns jogadores habilidosos podem definir um jogo, um título", lembrou o responsável pela organização do Mundial de 98 e agora candidato à presidência da União Européia de Futebol (Uefa).Representante de geração excepcional, que tinha também Tresor, Genghini, Giresse e Tigana, Platini não se sente frustrado por não ter sido campeão mundial, mesmo com participação notável nas Copas de 78, 82 e 86. "Nasci para jogar futebol, não para ser campeão do mundo", explicou.Agência Estado - O senhor tem acompanhado o futebol brasileiro?Michel Platini - Não sigo tão de perto, mas sei que vocês agora têm quatro jogadores muito bons na frente (refere-se ao ?quadrado mágico?). O Brasil é excepcional na revelação de talentos, jamais pára de ter gente nova e de boa qualidade. Sai um Dunga, aparece um Kaká. Tem Ronaldo e em seguida, surge um Ronaldinho Gaúcho. Pouco depois parece que acabou e aí vem Robinho. Isso é impressionante! AE - E a França?Platini - A França?!?! (fazendo careta de decepção) Ora, se acaba um Zidane, quem sobra? Ninguém. Não temos a capacidade de reposição dos brasileiros.AE - Mas seu país teve boas gerações, como a sua nos anos 70/80.Platini - Sim, foi um período muito bom. Chegamos às semifinais em 82 e em 86. Em 84, ganhamos o título europeu. Mas são momentos. Oito anos atrás, fomos campeões do mundo e agora nem temos classificação garantida para a Copa.AE - Em 86, a França eliminou o Brasil, em Guadalajara, no dia de seu aniversário. E o senhor perdeu um pênalti...Platini - (rindo) Foi um presente de aniversário que quis fazer para meus amigos brasileiros... Fui gentil (Naquele jogo, pelas quartas-de-final, houve empate de 1 a 1 no tempo normal. Zico e Sócrates também desperdiçaram pênaltis). AE - O senhor se sente frustrado por não ter sido campeão do mundo?Platini - De forma alguma. Nasci para jogar futebol, não para ser campeão do mundo. Fui para o futebol porque gostava de jogar bola e porque tinha talento. As coisas aconteceram naturalmente comigo. Fui treinador da seleção, organizador da Copa de 98, sempre por conta do futebol.AE - Aliás, o senhor tinha talento de sobra.Platini - Vocês acham?! Acho que eu poderia até ser brasileiro (rindo). Eu e o Zidane também.AE - E agora é candidato a suceder o sueco Johansson na Uefa...Platini - Sou, mas não falarei de política aqui. Não é correto.AE - A Europa tem muitos estrangeiros. Isso não prejudica as seleções, pela falta de espaço para renovação local?Platini - (balançando a cabeça, em sinal de dúvida, e fazendo careta) A tendência do futebol hoje é a internacionalização. Já não se pode falar em time italiano, time inglês. O Milan teve muitos holandeses, hoje tem vários brasileiros. É irreversível. As seleções européias se ressentem, mas não se pode esquecer que o futebol não é racional. Ele vive de momentos e de talento. Às vezes, um jogador talentoso pode definir uma partida, mesmo que defenda uma seleção mais fraca. Por isso, no futebol acontecem surpresas, o que raramente ocorre no basquete.AE - O senhor gosta da escola sul-americana? Brasil e Argentina decidiram a Copa das Confederações na Europa e mostraram que são candidatas ao Mundial.Platini - Há a escola sul-americana, de fato, que se baseia mais no toque de bola. Mas o grande jogador, aquele talentoso, está acima de qualquer nacionalidade.AE - O senhor tem favoritos para o Mundial? Platini - O Brasil, claro! O Brasil é o grande candidato ao título.AE - Não vale. Essa é resposta de político em campanha.Platini - De fato é mesmo. Se vocês fossem poloneses, eu diria que a seleção da Polônia era a candidata. Como são brasileiros, digo que é o Brasil. Mas, aqui entre nós: eu tenho muito mais chance de acertar, quando falo que é o Brasil.AE - Só o Brasil? E a França? Platini - A França ainda tem de se classificar. Não se pode esquecer da Argentina, que está bem. A Alemanha, por jogar em casa. Mas aposto no Brasil.

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