Platini diz que acredita no sucesso da Copa no Brasil

Presidente da Uefa elogia CBF em troca de apoio para acabar com o rodízio de continentes da Fifa

Jamil Chade, do Estadão,

26 de outubro de 2007 | 23h14

O presidente da Uefa, Michel Platini, confessou a pessoas próximas que acredita que o Brasil está pronto para organizar a Copa do Mundo de 2014, e prometeu apoiar a CBF em sua campanha para a sediar a competição. Em troca, quer o apoio do Brasil para que seja abolido o rodízio de continentes na organização do evento. Na próxima terça-feira, além de confirmar a realização do Mundial de 2014 no Brasil, a Fifa definirá qual será o formato para a seleção de sedes das próximas edições. A Uefa insiste que não há mais espaço para que a disputa pela Copa fique reservada apenas a um continente. "A partir de 2018, a concorrência deve ser aberta a todos", afirmou William Gaillard, diretor de comunicações da entidade que organiza o futebol europeu. Na realidade, uma verdadeira batalha nos bastidores já ocorrer em Zurique entre as diferentes federações. A idéia da Uefa é apoiar a proposta do presidente da Fifa, Joseph Blatter, de acabar com o sistema de rodízio, permitindo que qualquer país entre na corrida pela Copa. Para 2014, Blatter reconheceu que a Fifa ficou em uma situação "desconfortável" ao contar apenas com um candidato sul-americano, o Brasil. Para 2018, China, Estados Unidos, Bélgica, Holanda, Rússia, Austrália e México já indicaram à Fifa o interesse em sediar a competição. A entidade, portanto, passaria a adotar o mesmo sistema do Comitê Olímpico Internacional (COI), que abre a qualquer um de seus membros a possibilidade de organizar o evento a cada quatro anos. Uma resistência poderia vir dos países mais pobres, que temem ser completamente descartados de qualquer chance de organizarem competições. A Uefa alega que essa já é a realidade. "Na África, a Copa está indo para o país mais rico do continente, que é a África do Sul em 2010. Em 2014, o Brasil será escolhido e é a maior economia. Não há como as economias menores concorrerem hoje diante desses atores", disse Gaillard. Para conseguir o apoio brasileiro, a Uefa não economiza elogios à CBF. "Já estava mais que na hora de a Copa do Mundo ir ao Brasil", elogiou Gaillard. "Há um consenso de que o Mundial deve ir mesmo ao Brasil, um país que conta com 180 milhões de pessoas, é uma economia em plena expansão e tem o futebol como algo central na sociedade. Não vemos por que o Brasil não teria a capacidade de gerenciar o evento", concluiu.

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