Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

Platini pode ser suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa

Francês aparecia como favorito para eleições na entidade

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2015 | 14h49

Michel Platini, há pouco tempo franco favorito para as eleições na Fifa, está sob investigação e pode ser suspenso, o que colocaria fim ao seu sonho de se transformar no dirigente máximo do futebol mundial. O Estado apurou que o Comitê de Ética da Fifa já iniciou um processo de investigação sobre o francês, além de examinar a situação de Joseph Blatter, presidente da Fifa.

Na sexta-feira, a Justiça da Suíça anunciou que estava abrindo um processo criminal contra Blatter por gestão desleal e apropriação inadequada de recursos. Entre as suspeitas está um pagamento em 2011 de US$ 2 milhões para o seu então aliado, Michel Platini.

Oficialmente, o francês insiste que o valor pago se refere a trabalhos realizados por ele para a Fifa entre 1999 e 2002. Ele apenas não explica quais foram os serviços prestados e nem o motivo pelo qual a transferência ocorreu quase dez anos depois.

A Justiça quer agora saber quais foram esses trabalhos e por qual motivo o pagamento ocorreu pouco meses antes das eleições de 2011, quando Platini aceitou a proposta de Blatter de não concorrer contra o suíço. A suspeita é de que os valores seriam um prêmio por deixar o caminho aberto para mais um mandato de Blatter.

Mas muito antes de um resultado da Justiça, é na Fifa que o futuro do francês pode ser decretada. O Comitê de Ética passou a avaliar o assunto neste sábado e promete, para os próximos dias, uma definição.

Com uma plataforma pedindo reforma e transparência, Platini surgia como o homem que lutaria contra a corrupção. Mas uma suspensão pode significar o fim da carreira política do francês. Ao Estado, membros do alto comando da Fifa garantiram que a maior revelação nesse atual estágio da crise não é uma eventual queda de Blatter, mas o fim de Platini como candidato.

Assim que a operação foi deflagrada, executivos dispararam ligações ao príncipe Ali bin Hussein, da Jordânia, pedindo que ele se apresentasse como o candidato da Europa. Ele já teve o apoio da Uefa no início do ano, quando perdeu para Blatter. Mas, quando o suíço anunciou que deixaria o cargo, Platini impediu que Ali voltasse a se apresentar.

Neste sábado, a declaração do monarca árabe foi no sentido justamente de pressionar Platini. "A Fifa precisa de uma nova liderança", disse. Platini era o afilhado político de Blatter e aliado por anos, até que os dois romperam laços diante da insistência do suíço em se manter no poder. Agora, Platini tem seu projeto seriamente ameaçado.

Em um comunicado, ele tentou minimizar a crise. "Este montante refere-se ao trabalho que realizei sob um contrato com a Fifa e estou satisfeito por ter conseguido esclarecer todos os assuntos relativos a isso com as autoridades", afirmou Platini em um comunicado. O que ele não explicou é qual teria sido o trabalho prestado e nem o motivo pelo qual o valor foi pago quase dez anos depois do serviço. Ele garante que vai "cooperar". 

Zico, que ainda busca apoio para viabilizar sua candidatura, havia alertado esta semana em entrevista ao Estado que Platini "não era um homem de fora do sistema" e que "não faria as reformas necessárias". 

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