PM já tem pista da morte de torcedor

Três dias após a morte do corintiano Marcos Gabriel Cardoso Soares, de 16 anos, a polícia começou o trabalho de identificação dos torcedores envolvidos na confusão de antes do clássico de domingo, na Barra Funda. Nesta quinta-feira, quatro suspeitos - todos da Mancha Alviverde - e uma testemunha foram interrogados pelo delegado Ítalo Miranda Júnior, do 13º Distrito Policial (Casa Verde), e depois liberados. Na avaliação do delegado, ainda é cedo para apontar os culpados. "Mas já descobrimos um fato muito interessante e que será mantido as sete chaves até o final da investigação", garante Ítalo Miranda Júnior. Por enquanto, a finalidade da polícia é descobrir o nome e o endereço do maior número de torcedores possíveis que aparecem nas imagens feitas pela televisão. Dos quatro suspeitos, dois são menores, de 16 anos. "Um deles veio acompanhado dos pais. Eles estavam indignados com a atitude da torcida e com vergonha de terem que acompanhar o filho até a delegacia. A maioria são garotos que podem acabar com o restante da vida por causa da briga entre torcidas." A polícia não revelou os nomes e não permitiu imagens dos suspeitos. Essa é uma precaução para que os interrogados não sofram retaliação por parte dos líderes das organizadas e desistam de ajudar na identificação dos agressores. Segundo o delegado Ítalo Miranda Júnior, cerca de 60 pessoas estão diretamente envolvidos na morte de Marcos Gabriel Cardoso Soares. "Mas muita gente tem medo de ajudar a polícia. Quero ter a ajuda da população para identificar esses torcedores. Daqui para frente, a investigação vai virar uma bola de neve com mais gente sendo chamada para depôr." O pedido feito pelo delegado tem sido bem aceito pela população. Somente nesta quinta, o Disque-Denúncia recebeu 21 ligações apontando suspeitos de terem matado Marcos Gabriel Cardoso Soares. Na sede da Mancha Alviverde, os líderes da organizada passaram o dia verificando as quase 10 mil fichas de associados. "Se for associado nosso, nós identificaremos e passaremos para a promotoria pública, ao o promotor Capez. Nós temos um acordo com o Capez, e queremos identificar os responsáveis pela agressão e apurar o que realmente aconteceu", garante Jânio Carvalho dos Santos, presidente da organizada. O depoimento mais aguardado da tarde foi de um torcedor do Corinthians, que também foi agredido durante a confusão. Porém, a polícia preservou ao máximo a imagem da testemunha, que deixou a delegacia pelos portões do fundo. "Ele identificou outros agressores e já conseguimos mais dois nomes." A morte do jovem torcedor do Corinthians virou um caso especial para a Polícia Militar. O caso que estava sendo investigado somente no 23º DP (Perdizes) agora passou a ser tratado também pelos policiais do 13º DP (Casa Verde). Toda essa preocupação surgiu em razão da grande cobertura feita pela mídia. "Conhecíamos pessoas que diziam saber quem havia participado da confusão. Então, por também estarmos localizados na zona norte da capital, resolvemos ajudar na investigação", desconversa o delegado. "Mas no final das investigações, juntaremos todo o material apurados pelos dois distritos."

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