PM não evita "pequenas dificuldades"

De um lado a torcida do São Paulo. De outro, a do Corinthians. No meio de tudo e tentando organizar a chegada dos torcedores ao Estádio do Morumbi, cerca de 1.200 homens da Polícia Militar, comandados pelo tenente coronel Rego, comandante do 2º Batalhão de Choque, e o major Marinho, responsável também pelo esquema de segurança em dias de jogos.A preocupação com a segurança foi tanta, que ficava evidente até mesmo na prevenção adotada pelos dois clubes. Na chegada ao estádio, ao invés dos ônibus pintados com os escudos dos times, os jogadores chegaram em ônibus bastante discretos e sem qualquer alusão à São Paulo ou Corinthians.Antes do clássico deste domingo, a cúpula da Polícia Militar garantia que eram pequenas as chances de haver conflitos envolvendo as organizadas de São Paulo e Corinthians, mesmo depois das recentes mortes após os acontecimentos no Sambódromo do Anhembi, no carnaval. Mas não foi o que se viu em alguns confrontos em bairros e cidades próximas à capital.Na estação Consolação do Metrô, quatro são-paulinos foram presos. De acordo com a PM, uma bomba caseira foi apreendida. Na estação Brás, houve tiroteio entre torcedores dos dois clubes, mas a polícia não confirmou se torcedores foram detidos. Em Campinas, um ônibus com torcedores do São Paulo foi apreendido com pedras e pedaços de paus.Mais uma prova de que as reuniões organizadas entre PM e torcidas organizadas estão longe de ter um final feliz para os dois lados. Mas o que chamou a atenção em frente ao portão principal do Morumbi foi um Palio preto destruído. Cinco são-paulinos, que infelizmente erraram o trajeto ao estádio e utilizaram a Avenida João Jorge Saad (reservada para a chegada dos corintianos), foram abordados. O carro teve os espelhos retrovisores laterais arrancados e o vidro traseiro estilhaçado com uma grande pedra.Um dos rapazes do Palio teve um rojão apontado para a cabeça e precisou entregar a camisa para acalmar os corintianos. O pior só não aconteceu por causa da intervenção de policiais do 2ª Batalhão de Choque. "Sou trabalhador e escolhi torcer para o São Paulo. Não estou com camisa de torcida organizada. Não tive o que fazer. Não ia atropelar os corintianos porque não sou dessa índole", explicava Claudio Nunes da Silva Júnior, de 31 anos, motorista do carro. "Acho que tudo isso é reflexo da rixa entre as torcidas." É claro que estes não foram apenas os únicos problemas envolvendo são-paulinos e corintianos. Mas o comandante Rego preferiu classificar os outros incidentes como "pequenas dificuldades". "Estou surpreso. Não esperava essa movimentação intensa de torcedores tão cedo (16h30). Geralmente, o grande movimento acontece apenas meia hora antes do início da partida. A sorte foi que estávamos com o efetivo preparado desde às 14h", garantia o comandante, que tentava amenizar as ocorrências. "Nada escapou do nosso controle. Todos (os PMs) estão com os olhos no Morumbi."Saída - Na saída, a Polícia Militar também irá organizar comboios para escoltar as torcidas de São Paulo e Corinthians. Do lado de dentro do Morumbi, um torcedor do Corinthians roubou a cena. Minutos antes de os times entrarem em campo, ele invadiu o gramado para tentar colocar uma pequena bandeira do Corinthians no meio do campo. Não conseguiu alcançar a sua meta por causa da polícia. Saiu carregado por três policiais e xingado pela torcida do São Paulo.

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