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PM prevê mais violência entre torcidas

O trabalho da polícia na investigação do caso que apura as causas do tumulto que provocaram a morte do estudante Marcos Gabriel Cardoso Soares vai ser longo. As duas testemunhas que prestaram depoimento nesta terça-feira no 23º Distrito Policial, de Perdizes, não ajudaram muito o delegado José Celso Damasceno Júnior, que preside o inquérito. "Eles nem eram amigos do estudante (Marcos Gabriel Cardoso Soares). Estavam lá perto, viram o rapaz, ficaram com dó e resolveram ajudar", resumiu o delegado. Alexandre Moreira Rocha, testemunha que acompanhou Marcos ao Pronto Socorro da Lapa, contou que o estudante não teve sorte ao tentar fugir dos agressores. "A gente não conhecia ele não. A gente estava indo a pé para pegar o ônibus naquela ponte que eu não lembro o nome (Viaduto Pacaembu) quando apareceram os palmeirenses, cheios de pau, enxada e pedras. Aí a gente pulou o muro para fugir, mas ele não conseguiu pular o muro. Foi aí que bateram nele", disse Alexandre, ao lado da outra testemunha, Michele, que não quis dar declarações. "É muito comum que as pessoas sintam medo de represálias, então muitas vezes eles evitam se comprometer nos depoimentos", disse o delegado José Celso. Com 18 anos de polícia, 12 deles como delegado, José Celso explica que a investigação seguirá agora com base na ajuda dos amigos e familiares do estudante morto. "Vamos ter de localizar essas pessoas para ouvir seus depoimentos, alguém pode ter visto algo. A partir daí, podemos encontrar alguém que tenha visto os agressores, que possa fazer um retrato falado. ou até mesmo através de alguma denúncia anônima", disse o delegado. Para o coronel Marcos Marinho, responsável pelo policiamento nos estádios de São Paulo, o caso do estudante Marcos é mais um episódio "que acontece e vai continuar acontecendo, infelizmente." "Isso é resultado da ação de grupos isolados, que geralmente vêm da periferia e decidem extravasar toda a sua revolta contra aqueles que eles consideram inimigos, que são os torcedores rivais." O PM explica que a corporação tem feito o máximo que está ao seu alcance para evitar os problemas. "Tanto que para um jogo como o de domingo, em que a previsão era de no máximo 30 mil pessoas, eu coloquei um efetivo de 450 homens, que é um número para final de campeonato. Agora, não posso pôr um PM a cada 100 metros nas ruas da cidade." Pai de três filhas, entre 12 e 22 anos, coronel Marinho entende que dentro dos estádios a situação hoje é completamente diferente da de anos anteriores. "Eu não vejo problema de minhas filhas irem aos estádios, duas delas vão com freqüência. Agora, o que não dá é para evitar esses grupos, que causam todos os problemas."

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