PM sem trabalho na Ilha do Governador

"Esquisito, né? Está muito silencioso sem a torcida. Tá triste...", deixou escapar o meia Roger ao chegar ao estádio da Ilha do Governador. O Botafogo foi punido pela invasão do gramado por cinco torcedores na derrota diante do Corinthians, em dezembro de 2004. Assim, o clube carioca terá que jogar duas vezes com os portões fechados. A primeira vez foi neste domingo, justamente contra o Corinthians.Mais de 250 soldados da Polícia Militar do Rio impediam até que qualquer curioso chegasse perto do estádio, que foi remodelado com dinheiro público. A Petrobrás e o governo estadual dividiram o gasto de R$ 5 milhões para transformar o velho estádio da Portuguesa Carioca. Isso para Flamengo e Botafogo jogarem nos seis meses em que o Maracanã estará fechado para reforma. A capacidade passou de 15 mil para 30 mil. A remodelação ainda não acabou. Os cariocas rebatizaram o estádio Luso Brasileiro de Arena Petrobrás."Eu vou para casa dormir. Não vou perder mais tempo. Não achei que os botafoguenses fossem tão obedientes. Onde já se viu ter medo da polícia? Tem de ver o jogo", protestava o vendedor de sorvetes Rodrigo Maciel. "Eu vendi um sorvete só e foi para um soldado. Vou embora."Não havia torcedor disposto a tentar entrar no estádio. Na verdade, quatro gaiatos botafoguenses da torcida Fúria Alvinegra chegaram com bandeira e instrumentos. Mas, ainda na calçada, foram cercados. Disseram não saber da proibição da entrada dos torcedores. Os policiais riram e depois os mandaram embora.O cenário lembrava um treino. Não havia palmas ou palavrões. Os chutes na bola ressoavam no estádio. Repórteres espertos até maneiravam nas críticas aos jogadores durante o jogo. Sabiam que dava para ouvir."Olha, até que estou achando horrível. Mas aproveito e dou um treinamento aos meus 250 soldados", afirmou o major Marcelo, comandante do policiamento. O Botafogo perdeu cerca de R$ 300 mil de renda com a falta de torcedores.

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