PM tem dia ?tranqüilo? no Morumbi

O comparecimento em pequeno número da torcida do São Paulo ao Morumbi para a primeira partida contra o Corinthians pela final do Torneio Rio-São Paulo colaborou para que neste domingo a tranqüilidade reinasse no lado externo do estádio. "Quando trabalhamos em um jogo em que uma torcida é bem maior do que a outra, a tensão diminui bastante", garantiu o Major Marinho, comandante Interino no 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar.O Major, torcedor assumido do São Paulo, condicionou o fato ao descrédito da torcida com relação ao time do Morumbi. "Com certeza a ausência do França no jogo deste domingo deixou muitos são-paulinos em casa".Até as 15h, apenas 27 mil dos 74 mil ingressos disponíveis tinham sido vendidos. Em todos os guichês sobravam bilhetes para todos os setores, com exceção da arquibancada amarela reservada para os corintianos.As duas torcidas foram devidamente escoltadas até o estádio. Para surpresa do policiamento, nenhuma ocorrência havia sido registrada até momentos antes do clássico, ao contrário do jogo de quarta-feira entre as duas equipes pela Copa do Brasil, quando pelo menos três bombas de fabricação caseira foram encontradas com torcedores. "Não adianta esconder a realidade. A torcida do São Paulo não veio porque o Rio-São Paulo não vale nada. Queríamos mesmo era a Copa do Brasil. Sem o França, o time perde metade de sua força. Sem o Kaká, a outra metade", resumiu o engenheiro Marcelo Potolski, de 26 anos.O árbitro Edílson Pereira de Carvalho chegou ao Morumbi às 14h com coragem para criticar o regulamento do Torneio Rio-São Paulo. "Essa história de se decidir um classificado ou até mesmo o título nos cartões é idiota. O maior prejudicado acaba sendo o árbitro, que recebe as atenções do público e da mídia. Mas espero manter a minha postura usual, ou seja, tentar controlar o jogo no bom senso".Os mais de 450 policiais destacados para o clássico tiveram pouco trabalho. O Comando de Policiamento de Choque montou comandos em posições estratégicas para evitar aglomerações nas cercanias do estádio.Roubo - O problema de maior gravidade foi registrado com o repórter Mauro Tagliaferri, da TV Globo, que teve o seu telefone celular roubado por um torcedor do Corinthians. Mas a ação da cavalaria da Polícia Militar foi rápida e o torcedor acabou sendo detido e encaminhado ao 34º Distrito Policial.O Major Marinho resumia a dificuldade em se enquadrar os torcedores que cometem delitos nos estádios. "Infelizmente a burocracia atrapalha muito. Mas a culpa não é da Polícia Civil e sim da legislação brasileira. Precisamos instalar urgentemente um tribunal de pequenas causas que aplique penas alternativas".

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