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Pochettino jamais será perdoado por não ter escalado Mbappé, Neymar e Messi juntos

Craque argentino faz sua estreia e entra no lugar do amigo brasileiro na partida que pode ter sido a despedida do atacante francês do PSG com destino ao Real Madrid

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2021 | 18h19

No dia histórico da estreia de Messi no Paris Saint-Germain, quem brilhou foi Mbappé. Do trio de ouro do clube francês, o atacante é o menos badalado, mas o de futuro mais promissor. Coube ao 'estraga-prazeres' Mauricio Pochettino tirar Neymar e mandar a campo o debutante argentino, privando a todos de ver pela primeira e talvez única vez o trio bom de bola do PSG juntos.

Não foi dessa vez. Talvez não aconteça nunca mais porque o camisa 7 está negociando sua transferência para o Real Madrid por 180 milhões de euros e ela pode acontecer a qualquer momento ainda nesta janela de transferência, que fecha no último dia de agosto. Há muitas conversas e pouco tempo. Não está descartada a possibilidade de o clube francês não liberar Mbappé, forçá-lo a disputar a última temporada para apostar tudo no projeto Liga dos Campeões e depois entregar o atleta sem custo ao mercado.

Messi ficou no banco contra o Reims. Entrou aos 20 minutos do segundo tempo. É claro que o treinador teve seus motivos para tirar Neymar. Tanto o brasileiro quanto o argentino não estão 100% em condição física. Antes mesmo de começar o jogo na cidade do coroamento de muitos reis, Pochettino já sabia o que iria fazer. Neymar já sabia também que jogaria um tempo e mais 20 minutos. Messi foi avisado que entraria no lugar do amigo. Isso estava planejado. Mas dane-se o planejado.

É fato que o treinador do PSG quebrou o barato de todo mundo. Esses momentos na história deveriam ser maiores do que qualquer concepção ou definição estratégica no futebol. Pochettino não tinha esse direito, embora tivesse como comandante. Os deuses da bola, aqueles que aplaudem e também punem, deveriam ter feito alguma coisa lá do alto.

O mundo acompanhou essa partida na esperança de, primeiramente, ver Messi em campo e depois de se deliciar com o trio formado pelo camisa 30, Neymar e Mbappé. Vai que o negócio do jogador francês dê certo e ele embarque nesta semana para a Espanha a fim de assinar novo contrato de trabalho. Os times nacionais vão parar nesta semana porque há partidas das seleções nas Eliminatórias da Copa do Catar

Então, Pochettino não tinha esse direito como amante do futebol. Ele privou o mundo da escalação que todos comentam desde que Messi oficializou sua saída do Barcelona e ida para o Paris. A partir daí, todos começaram a especular como seria esse PSG com os três em campo, qual seria a distribuição, quem marcaria, quem voltaria mais, como correriam, estariam sempre próximos... Todas essas dúvidas atormentavam o torcedor. E continuam atormentando. Mas nunca teremos essas respostas caso Mbappé deixa o time.

O Paris fez 2 a 0 com dois gols do atacante francês. Neymar foi apenas 'normal', assim como Messi. Ambos podem render muito mais quando estiverem com o fôlego em dia e quando também o meia argentino estiver mais à vontade na nova casa. Messi estava tenso, embora ninguém pudesse imaginar isso. Pegou pouco na bola. Tocou muito para trás e deu algumas poucas arrancadas em direção ao gol. Nada que não tenha feito com mais calma e menos batimentos cardíacos no Barcelona. Estreia é estreia até para Messi.

A grande verdade é que ainda falta muito para ele se colocar de corpo e alma no PSG. O que só confirma que Pochettino estava certo no conceito de sua decisão, mas completamente errado na essência do futebol. Jamais será perdoado pelo que fez, ou melhor, pelo que não fez: juntar Mbappé, Neymar e Messi. Em sua entrevista, Pochettino disse com todas as letras que a direção do PSG garante que Mbappé fica. As próximos 48 horas serão tensas.

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