Reuters / Dylan Martinez
Reuters / Dylan Martinez

Polêmica com Abramovich em Portugal motiva endurecimento de regras para obtenção de cidadania

Mudanças na legislação portuguesa afetam a concessão de nacionalidade aos judeus sefarditas, grupo do qual o dono do Chelsea possui descendência

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2022 | 14h23

O nome de Roman Abramovich está envolvido em mais uma polêmica. Depois de ser obrigado a colocar o Chelsea à venda por sua ligação com Vladimir Putin, o magnata russo virou pivô de uma mudança na legislação de Portugal para a obtenção de cidadania no país. O governo endureceu as regras de concessão da nacionalidade para os descendentes judeus sefarditas. Agora, uma das exigências é a comprovação de um vínculo real e concreto com o país. Essas novas normas estão em um decreto aprovado pelo Conselho de Ministros de Portugal e promulgado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa no último dia 9.

 

Com as novas regras em vigor, a comprovação do vínculo efetivo com Portugal poderá ocorrer de diversas formas, desde a herança de um imóvel até visitas ao país ao longo de sua vida. Antes, apenas um certificado de que o cidadão era descendente de judeus sefarditas, expulsos do país há mais de 500 anos no período da Inquisição, era suficiente para obter a cidadania portuguesa. 

"Convém que todas as pessoas que tenham a nacionalidade portuguesa também tenham um vínculo contemporâneo com Portugal. Que elas mesmas tenham um vínculo com Portugal e não só seus tataravós", afirmou o primeiro-ministro luso, Augusto Santos Silva. 

Além da alteração dessa legislação, o Ministério Público português anunciou ter aberto uma investigação sobre a concessão da nacionalidade a Abramovich. Na última semana o rabino que ficou encarregado por certificar a ascendência sefardita do oligarca russo foi detido em Portugal

Com as sanções aplicadas a Abramovich pela União Europeia, todos os seus bens em Portugal estão congelados. Apesar disso, Santos Silva explicou que a entrada do oligarca no país não pode ser proibida, pelo passaporte que ele possui. 

Venda do Chelsea

Abramovich se viu obrigado a colocar o Chelsea à venda após ser alvo do parlamento britânico — e da pressão da opinião pública — por sua amizade com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Poucos dias após a invasão das tropas russas à Ucrânia, o bilionário anunciou que estava se desfazendo do clube. No entanto, as sanções recebidas pelo governo britânico o impossibilitou de fazer qualquer tipo de negociação com o time londrino, que por sua vez está com as contas bloqueadas. 

Na última semana, o governo do Reino Unido afirmou que não iria dificultar a venda do clube e poderia ajudar no negócio caso surgisse um interessado. Segundo a imprensa britânica, o Saudi Media Group, da Arábia Saudita, teria feito uma oferta de 2,7 bilhões de libras (R$ 18 bilhões na cotação atual). Até o momento, nenhum acordo oficial foi divulgado. 

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