Sergei Karpukhin/Reuters
Sergei Karpukhin/Reuters

Polêmica, Copa do Catar-2022 deve render US$ 6 bilhões para a Fifa

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, já trabalha pensando na próxima edição do Mundial

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2018 | 05h00

Considerada por muitos dentro da Fifa como o “maior erro” da história da entidade, a Copa de 2022 no Catar já é uma realidade. Enquanto a bola rola nos estádios russos, um pequeno exército de 180 pessoas enviadas pelo país árabe observa cada detalhe da organização para implementar um projeto similar para o próximo Mundial.  Fora dos estádios, os negócios se proliferam e os contratos estão sendo fechados numa velocidade cada vez maior. 

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Documentos internos da entidade obtidos com exclusividade pela reportagem do Estado revelam que a Fifa espera atingir uma receita recorde de US$ 6,6 bilhões (R$ 26 bilhões) com a Copa de 2022. O valor é US$ 1 bilhão (R$ 3,86 bilhões) a mais do que se garantiu na edição de 2014, no Brasil. No informe confidencial, a entidade qualifica a previsão como “realista e ambiciosa”. Mas admite que 70% dos contratos com a Fifa já estão fechados. “Estamos trabalhando à toda velocidade”, disse ao Estado o CEO da Copa de 2022, Hassan Al Thawadi. 

O Mundial de 2022 tem sido alvo de polêmicas desde o seu anúncio, em 2010, de que o Catar seria a sede, superando as candidaturas de EUA e Austrália. Desde então, o FBI, a Justiça da Suíça e a França investigam o processo de escolha da Fifa. O próprio ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é acusado de ter vendido seu voto para o Catar.  As críticas de entidades de direitos humanos e mesmo governos estrangeiros chegaram a levantar a possibilidade de que o evento poderia mudar de sede. 

Ao Estado, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter deixou claro que todo o caos gerado com as prisões dos delegados da entidade apenas ocorreu por causa da escolha do Catar em detrimento dos americanos.  “Isso ocorreu por causa da intervenção da política francesa, do presidente da França (Nicolas Sarkozy), que se encontrou no Palácio do Eliseu com o príncipe herdeiro do Catar e que hoje é o emir”, contou. “Depois daquilo, Michel Platini veio até mim e me disse: ‘Desculpe-me Sepp, não posso garantir mais meus votos para os EUA’. Se isso tivesse ocorrido, não estaríamos nessa situação caótica como está ocorrendo nos EUA, com o julgamento”, apontou. 

 

A escolha não gerou apenas um caos legal. A Fifa passou a ser conivente a um sistema trabalhista acusado de violar direitos humanos e, diante do calor do verão no Golfo, a Copa teve de ser postergada para novembro, afetando o calendário internacional do futebol. O que está certo, porém, é que a Copa não terá 48 seleções, como queria Gianni Infantino, presidente da entidade. Os responsáveis do país árabe indicaram que são contrários a dividir a sede – e uma ampliação significaria realizar partidas em outros países da região. Com a crise diplomática no Golfo Pérsico, esta possibilidade não é realista. 

Enquanto isso, em Moscou, o Catar iniciou ontem uma ampla operação de divulgação do Mundial de 2022. No parque Gorky, os organizadores montaram uma Bayt Al Sha’ar, a tradicional tenda árabe, para se comunicar com o mundo. Um museu flutuante, uma exposição e outros eventos estão programados. 

“É importante que possamos dar ao torcedor um gosto real do que vem pela frente quando ele visitar o Catar para a Copa”, disse Fatma Al Nuaimi, diretora de comunicação das exposições. “Vamos mostrar o que já foi feito na preparação para o evento e também queremos introduzir o torcedor ao país.”

 

 

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