Nabor Goulart/AP
Nabor Goulart/AP

Polícia abre inquérito para apurar acusação de ofensa racista

Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, afirma que Máxi López deve ser punido por ter ofendido Elicarlos

Eduardo Kattah, Agencia Estado

25 de junho de 2009 | 19h09

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou nesta quinta-feira um inquérito para apurar a acusação de ofensa racista feita pelo volante Elicarlos, do Cruzeiro, contra o atacante argentino Maxi López, do Grêmio, durante a primeira partida entre os dois times na noite de quarta, no Mineirão, pela semifinal da Libertadores.

Veja também:

forum VOTE: ofensa racista no futebol é caso de polícia?

linkMaxi López nega ofensa racista e acusa o Cruzeiro

linkLópez e Elicarlos prestam depoimento por ofensa racista

linkCruzeirense Elicarlos acusa Máxi Lopez de ofensa racista

linkPaulo Autuori prevê clima hostil para segunda semifinal

linkCruzeiro bate o Grêmio e abre boa vantagem

especialLeia mais da Libertadores no canal especial

tabela Copa Libertadores - Classificação e Calendário 

especialDê seu palpite no Bolão Vip do Limão

Após a vitória cruzeirense por 3 a 1, já na madrugada desta quinta-feira, Elicarlos registrou ocorrência na delegacia de plantão do próprio estádio, afirmando que foi ofendido por Maxi López, que o teria chamado de "macaco" aos 25 minutos do primeiro tempo do jogo. O inquérito foi instaurado pelo 16.ª DP da capital mineira.

Aos delegados de plantão no Mineirão, Maxi López negou a ofensa. Em nota divulgada nesta quinta-feira pela Polícia Civil, o delegado Daniel Barcelos alegou que não foi lavrado flagrante "por se tratar de denúncia verbal, verificando-se contradição e parcialidade nos depoimentos dos jogadores (testemunhas) de ambos os times".

O caso, porém, repercutiu até entre a mais alta autoridade estadual. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que assistiu ao jogo de quarta-feira no estádio e confessa ser um fanático torcedor do Cruzeiro, classificou o episódio como "absolutamente lamentável" e ressaltou que racismo se trata de um crime inafiançável.

"É preciso que isso tenha consequências", declarou o governador. "É um absurdo que no esporte, que talvez seja o mais democrático dos campos da manifestação dessa miscigenação, hajam pessoas que ainda tenham qualquer tipo de preconceito. Gostaria que esse processo tivesse consequências para que servisse de exemplo, para que outros não cometam esse crime. Não há outra palavra, é crime e precisa ser punido."

Muito menos enfático que o governador, o delegado Daniel Barcelos afirmou durante a madrugada, ainda no Mineirão, que considerava prematura qualquer conclusão do caso. "É a versão de um contra a versão de outro. E sabemos todos nós do calor de uma partida de futebol, das discussões, dos xingamentos entre os jogadores", explicou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.